HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021
Paciente feminina, 24 anos, g2p1a1, procurou atendimento na unidade básica de saúde, com queixa de dor em baixo ventre, em acolhimento realizado pela enfermagem. Em atendimento com o médico de MFC, paciente queixa ainda de secreção vaginal amarelada, há alguns dias, sem prurido vaginal. Data da última menstruação há 19 dias. Refere 2 parceiros sexuais no último ano. Uso irregular de preservativo masculino. Refere tratamento de sífilis aos 19 anos. Último papanicolau há cerca de 1 ano, normal segundo informação da paciente. Ao exame físico, o MFC verificou: dor à palpação profunda de baixo ventre, colo friável e pouco doloroso ao toque, endocérvice com secreção mucopurulenta. Conforme informações fornecidas, o MFC, deverá:
Cervicite mucopurulenta + fatores de risco IST → Tratamento empírico para N. gonorrhoeae e C. trachomatis + rastreio IST + tratamento parceiro.
Diante de cervicite mucopurulenta e fatores de risco para IST, o tratamento empírico para gonorreia e clamídia é mandatório para prevenir complicações como DIP e infertilidade, mesmo antes da confirmação etiológica. O rastreamento de outras ISTs e o tratamento do parceiro são cruciais para o controle da infecção.
A cervicite mucopurulenta é uma inflamação do colo uterino caracterizada pela presença de secreção mucopurulenta no orifício externo do colo ou sangramento induzido por swab. É frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, sendo um importante marcador de risco para outras ISTs e para o desenvolvimento de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Sua prevalência é significativa em populações sexualmente ativas, e o diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para evitar complicações. O diagnóstico da cervicite é clínico, baseado na inspeção do colo uterino e na presença de secreção mucopurulenta ou friabilidade. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco para ISTs, como múltiplos parceiros, uso inconsistente de preservativo e histórico de ISTs. A fisiopatologia envolve a invasão e replicação dos patógenos nas células epiteliais colunares do endocérvice, levando à resposta inflamatória. A conduta recomendada para cervicite mucopurulenta, especialmente em pacientes com fatores de risco, é o tratamento empírico imediato para N. gonorrhoeae e C. trachomatis, sem aguardar os resultados laboratoriais. Além disso, é imperativo realizar o rastreamento completo para outras ISTs (HIV, sífilis, hepatites), tratar os parceiros sexuais e notificar os casos de doenças de notificação compulsória. Essa abordagem visa controlar a infecção, prevenir complicações e interromper a cadeia de transmissão.
A cervicite mucopurulenta pode se manifestar com secreção vaginal amarelada ou esverdeada, dor em baixo ventre, sangramento pós-coito e colo uterino friável ao exame especular. Muitas vezes, é assintomática.
O tratamento empírico é crucial para prevenir a ascensão da infecção para o trato genital superior, que pode levar à Doença Inflamatória Pélvica (DIP), infertilidade e dor pélvica crônica. A espera por resultados laboratoriais pode atrasar o início da terapia.
Em pacientes com cervicite, é fundamental rastrear Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, sífilis (VDRL/FTA-Abs), HIV e hepatites B e C, devido à alta associação e à importância para a saúde pública.
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