Cervicite Mucopurulenta: Diagnóstico e Tratamento Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pessoa não binária transmasculina, 24 anos, com queixa de corrimento vaginal intenso, purulento, há 20 dias, com início 3 dias após relação sexual vaginal desprotegida com homem cis. Amenorréia há 4 anos, desde o início da hormonização com testosterona. Nega dor ou outras queixas. Exame físico com secreção endocervical amarelada, muco purulenta e abundante, colo hiperemiado e edemaciado. Exame a fresco da secreção com incontáveis leucócitos. Toque com útero indolor a mobilização e anexos impalpáveis. Qual diagnóstico e tratamento mais apropriado?

Alternativas

  1. A) Tricomoniase. Prescrever metronidazol via oral.
  2. B) Doença inflamatória pélvica. Prescrever ceftriaxone, doxiciclina e metronidazol.
  3. C) Candidíase. Prescrever creme vaginal com miconazol.
  4. D) Vaginose bacteriana. Prescrever creme vaginal com metronidazol.
  5. E) Cervicite. Prescrever azitromicina e ceftriaxone.

Pérola Clínica

Cervicite mucopurulenta → secreção endocervical purulenta + colo inflamado, sem dor anexial. Tratamento: Ceftriaxone + Azitromicina.

Resumo-Chave

A cervicite é uma inflamação do colo uterino, frequentemente causada por ISTs como clamídia e gonorreia. A ausência de dor à mobilização do colo ou anexial ajuda a diferenciá-la da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que requer um tratamento mais abrangente. A hormonização com testosterona pode levar à amenorreia, mas não impede infecções cervicais.

Contexto Educacional

A cervicite mucopurulenta é uma inflamação do colo uterino caracterizada pela presença de secreção purulenta e inflamação cervical. É uma condição comum, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, sendo crucial para a saúde reprodutiva e prevenção de complicações. A identificação precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar a progressão para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e outras sequelas. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, que inclui a visualização de secreção mucopurulenta no orifício cervical externo e/ou friabilidade do colo. Exames laboratoriais, como a microscopia da secreção (revelando leucócitos abundantes) e testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) para clamídia e gonorreia, confirmam a etiologia. É importante considerar a saúde sexual e o histórico de parceiros para um manejo completo. O tratamento empírico deve cobrir os agentes etiológicos mais comuns, geralmente com uma dose única de ceftriaxone intramuscular e azitromicina oral. O acompanhamento e o tratamento dos parceiros sexuais são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir reinfecções. A educação sobre práticas sexuais seguras também é um componente importante da abordagem terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da cervicite?

Os principais sinais da cervicite incluem corrimento vaginal ou endocervical purulento ou mucopurulento, colo uterino hiperemiado, edemaciado e friável. Sintomas como sangramento pós-coito ou intermenstrual podem ocorrer, mas a paciente pode ser assintomática.

Qual é o tratamento recomendado para cervicite, especialmente quando há suspeita de IST?

O tratamento empírico para cervicite, especialmente com suspeita de ISTs como clamídia e gonorreia, consiste em uma dose única de Ceftriaxone intramuscular (para gonorreia) e Azitromicina oral (para clamídia). É fundamental tratar os parceiros sexuais.

Como diferenciar cervicite de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

A cervicite é uma infecção restrita ao colo uterino, enquanto a DIP envolve infecção ascendente para útero, tubas e ovários. A principal diferença clínica é a ausência de dor à mobilização do colo e dor anexial na cervicite, que são achados característicos da DIP.

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