SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Patrícia, 27 anos, comparece a consulta em Unidade de Saúde da Família se queixando de dispareunia e secreção vaginal espessa e amarelada. G3P2A1, tendo as filhas 7 e 3 anos. Após o nascimento da filha mais nova se separou e desde então não tem parceria sexual fixa. Ao exame ginecológico é possível observar secreção mucopurulenta pelo orifício do colo. Com base no quadro apresentado por Patrícia, é possível afirmar que:
Cervicite mucopurulenta → alta suspeita de IST (Clamídia/Gonorreia); rastrear outras ISTs, mesmo assintomáticas.
A presença de secreção mucopurulenta pelo orifício do colo uterino, dispareunia e histórico de múltiplos parceiros sexuais são fortes indicativos de cervicite, frequentemente causada por Clamídia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae. Nesses casos, é fundamental rastrear outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem ser assintomáticas, para um manejo completo e prevenção de complicações.
A cervicite mucopurulenta é uma inflamação do colo uterino caracterizada pela presença de secreção purulenta ou mucopurulenta no orifício cervical externo, frequentemente associada a sangramento fácil ao toque. É uma condição comum em mulheres sexualmente ativas e um importante marcador de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A fisiopatologia envolve a infecção das células epiteliais colunares do endocérvix pelos patógenos, levando a uma resposta inflamatória. O diagnóstico é clínico, baseado no exame ginecológico, e confirmado por testes laboratoriais para os agentes etiológicos. A suspeita deve ser elevada em pacientes com múltiplos parceiros sexuais, histórico de ISTs ou parceiros com ISTs, e sintomas como dispareunia ou secreção vaginal anormal. O tratamento deve ser sindrômico e etiológico, cobrindo os agentes mais prováveis. Além disso, é imperativo oferecer rastreamento para outras ISTs, como HIV, sífilis e hepatites virais, que podem ser assintomáticas e ter implicações graves para a saúde da paciente e de seus parceiros. Aconselhamento sobre sexo seguro e tratamento dos parceiros sexuais são componentes essenciais do manejo.
Os principais agentes etiológicos da cervicite mucopurulenta são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Outros agentes menos comuns incluem Mycoplasma genitalium e o vírus Herpes Simplex, mas Clamídia e Gonorreia são os mais prevalentes e devem ser sempre investigados.
É crucial rastrear ISTs assintomáticas porque muitas delas, como HIV, sífilis e hepatites virais, podem coexistir com a cervicite e não apresentar sintomas evidentes. O rastreamento permite o diagnóstico precoce, tratamento adequado e aconselhamento para prevenir complicações e a transmissão a parceiros.
Não, a ausência de dor à mobilização do colo uterino não descarta completamente a Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Embora a dor à mobilização seja um critério importante, a DIP pode ter apresentações atípicas ou subclínicas. Outros sinais e sintomas, como dor abdominal baixa, febre e leucocitose, devem ser considerados em conjunto.
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