Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente de 25 anos de idade, sexualmente ativa, refere corrimento vaginal aumentado e sangramento ao coito há cerca de um mês. Ao exame, observa-se conteúdo vaginal amarelado, sem odor, em grande quantidade. O colo do útero apresenta área de ectopia sangrante 1 cm ao redor do orifício externo. Qual exame subsidiário está indicado e qual o agente etiológico em relação ao resultado?
Corrimento amarelado + sangramento ao coito + ectopia cervical = suspeitar cervicite gonocócica; confirmar com Gram de secreção.
A tríade de corrimento vaginal amarelado, sangramento ao coito (sugestivo de cervicite) e ectopia cervical sangrante é altamente sugestiva de cervicite por Neisseria gonorrhoeae. O exame de secreção vaginal com coloração de Gram pode revelar diplococos gram-negativos intracelulares, confirmando a etiologia e orientando o tratamento.
A cervicite é a inflamação do colo uterino, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sendo a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis os agentes etiológicos mais comuns. A paciente apresenta um quadro clínico clássico de cervicite, com corrimento vaginal amarelado, sangramento ao coito e uma ectopia cervical friável e sangrante, o que é altamente sugestivo de infecção gonocócica. A Neisseria gonorrhoeae é um diplococo gram-negativo que infecta as células epiteliais colunares do endocérvix, uretra e outras mucosas. A ectopia cervical, que é a presença de epitélio colunar e glandular na porção externa do colo, é mais suscetível à infecção por esses patógenos, e a inflamação resultante pode levar à friabilidade e sangramento ao toque ou coito. O diagnóstico é crucial para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações como a doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade e gravidez ectópica. O exame de secreção vaginal com coloração de Gram, embora tenha menor sensibilidade que os testes moleculares (NAATs), pode ser rápido e útil para identificar os diplococos gram-negativos intracelulares, especialmente em locais com recursos limitados. A cultura e os NAATs são métodos mais sensíveis e específicos para a confirmação. O tratamento deve ser iniciado prontamente, muitas vezes cobrindo também a clamídia devido à alta coinfecção.
Os sintomas comuns da cervicite gonocócica incluem corrimento vaginal amarelado ou purulento, disúria, sangramento intermenstrual ou pós-coito, e dor pélvica. Muitas vezes, pode ser assintomática.
O diagnóstico pode ser feito por exame de Gram da secreção endocervical (identificação de diplococos gram-negativos intracelulares), cultura ou, preferencialmente, testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs) em amostras cervicais ou urinárias.
O sangramento ao coito (dispareunia de contato) é um sinal de inflamação e friabilidade do colo uterino, frequentemente associado à cervicite, especialmente por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis, indicando a necessidade de investigação.
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