Cervicite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Empírico

PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2021

Enunciado

Uma adolescente de 18 anos tem secreção vaginal amarelada. Ao exame, o colo uterino é eritematoso e sangrante. O teste de KOH 10% é negativo e o pH menor que 4,5. Não apresenta dor a mobilização do colo uterino no exame de toque bimanual. Neste caso, qual o diagnóstico e melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Secreção fisiológica. Não tratar e orientar em relação à normalidade da condição clínica.
  2. B) Vaginose bacteriana. Tratar com Metronidazol oral.
  3. C) Cervicite. Tratar com Azitromicina e Ceftriaxona.
  4. D) Doença inflamatória pélvica aguda. Encaminhar para tratamento hospitalar.
  5. E) Candidíase vaginal. Tratar com fluconazol oral.

Pérola Clínica

Colo eritematoso/sangrante + secreção amarelada + pH < 4,5 + KOH negativo → Cervicite; tratar empiricamente para clamídia e gonorreia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de secreção vaginal amarelada, colo uterino eritematoso e sangrante, sem dor à mobilização do colo e com pH vaginal normal (<4,5) e KOH negativo, é altamente sugestivo de cervicite. A etiologia mais comum é por DSTs como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, justificando o tratamento empírico com Azitromicina e Ceftriaxona.

Contexto Educacional

A cervicite é a inflamação do colo uterino, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sendo a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae os agentes etiológicos mais comuns. É uma condição importante na saúde da mulher, especialmente em adolescentes e jovens adultas, devido ao potencial de progressão para doença inflamatória pélvica (DIP) e suas sequelas, como infertilidade e dor pélvica crônica. O diagnóstico da cervicite é clínico, baseado nos achados do exame ginecológico, como colo uterino eritematoso, edemaciado e friável, além da presença de secreção mucopurulenta. Testes laboratoriais como o pH vaginal e o teste de KOH são úteis para excluir outras causas de vaginite. A ausência de dor à mobilização do colo é um ponto chave para diferenciar a cervicite isolada da DIP. O tratamento da cervicite deve ser empírico e abranger os agentes etiológicos mais prováveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, devido à dificuldade de diagnóstico rápido e à importância de iniciar a terapia prontamente para prevenir complicações. A combinação de Azitromicina (para clamídia) e Ceftriaxona (para gonorreia) é a conduta padrão. É fundamental também orientar sobre o tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) e a prevenção de futuras ISTs.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da cervicite aguda?

A cervicite aguda manifesta-se frequentemente com secreção vaginal mucopurulenta (amarelada ou esverdeada), colo uterino eritematoso, edemaciado e friável (sangrante ao toque), além de disúria e dor pélvica leve. Muitas vezes, é assintomática.

Por que o tratamento empírico para cervicite inclui Azitromicina e Ceftriaxona?

O tratamento empírico é recomendado devido à alta prevalência de Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae como agentes etiológicos da cervicite. A Azitromicina cobre a clamídia e a Ceftriaxona cobre a gonorreia, garantindo ampla cobertura para as principais DSTs.

Como diferenciar cervicite de outras infecções vaginais ou pélvicas?

A cervicite é caracterizada por inflamação do colo. Diferencia-se de vaginites pelo pH vaginal e teste de KOH (normal na cervicite) e de DIP pela ausência de dor à mobilização do colo e dor abdominal intensa, embora possa ser um precursor da DIP.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo