Sepse e Choque Séptico: Manejo Hemodinâmico Inicial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Certo paciente de 70 anos de idade foi levado ao prontosocorro por familiares, os quais referiram que o idoso encontrava-se sonolento, hiporresponsivo e com piúria na sonda vesical de demora que utiliza em razão de doença prostática. Apresentava-se febril e hipotenso à triagem, preenchendo os critérios de sepse da avaliação SIRS. Quanto ao manejo hemodinâmico desse paciente, deve-se

Alternativas

  1. A) iniciar expansão volêmica com a infusão de soluções com amido.
  2. B) infundir 30 mL/kg de solução cristaloide nas primeiras três horas.
  3. C) iniciar vasopressina como medicação de escolha, caso haja indicação de droga vasoativa.
  4. D) associar dopamina à droga vasoativa, caso, além da hipotensão, haja disfunção cardíaca.
  5. E) associar adrenalina, caso a resposta ao vasopressor de escolha seja inadequada.

Pérola Clínica

Sepse/Choque Séptico: iniciar expansão volêmica com 30 mL/kg de cristaloide nas primeiras 3 horas.

Resumo-Chave

As diretrizes da Surviving Sepsis Campaign recomendam a infusão rápida de 30 mL/kg de solução cristaloide nas primeiras 3 horas para pacientes com sepse e hipotensão ou lactato > 2 mmol/L. Essa medida visa restaurar a perfusão tecidual e otimizar o débito cardíaco.

Contexto Educacional

A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O choque séptico é um subconjunto da sepse em que as anormalidades circulatórias e metabólicas celulares são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. O manejo hemodinâmico inicial é um pilar fundamental no tratamento da sepse e choque séptico. As diretrizes da Surviving Sepsis Campaign enfatizam a importância da expansão volêmica rápida com cristaloides. A meta é restaurar a perfusão tecidual e otimizar o débito cardíaco, corrigindo a hipotensão e a hipoperfusão. A infusão de 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras três horas é uma recomendação de alta evidência. Após a fluidoterapia inicial, se a hipotensão persistir, drogas vasoativas devem ser iniciadas, sendo a norepinefrina a primeira escolha para manter uma pressão arterial média (PAM) alvo de 65 mmHg. A dopamina não é recomendada como primeira escolha devido a maior incidência de arritmias. A adrenalina pode ser adicionada como segunda droga vasoativa ou substituída se a norepinefrina não for suficiente. O monitoramento contínuo da resposta hemodinâmica é essencial para guiar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a recomendação inicial de fluidoterapia para pacientes com sepse?

A recomendação inicial é infundir 30 mL/kg de solução cristaloide intravenosa nas primeiras três horas para pacientes com hipotensão induzida por sepse ou lactato sérico elevado (> 2 mmol/L).

Por que cristaloides são preferidos em relação a coloides na sepse?

Cristaloides são preferidos porque estudos demonstraram que coloides, como soluções com amido, não oferecem benefício superior e podem estar associados a desfechos piores, como maior incidência de lesão renal aguda.

Quando iniciar drogas vasoativas no manejo da sepse?

Drogas vasoativas, como a norepinefrina, devem ser iniciadas se a hipotensão persistir após a expansão volêmica inicial adequada, com o objetivo de manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg.

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