Complicações da Ceratotomia Radial e Arqueada

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Com relação à técnica cirúrgica demonstrada nas figuras abaixo, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) As incisões são calculadas para realizações, geralmente, na meia espessura do estroma, ou seja, em 50% da profundidade a partir do epitélio da córnea.
  2. B) Hipermetropia progressiva e alterações da qualidade da visão noturna são complicações frequentes dessa modalidade de tratamento.
  3. C) Incisões arqueadas mais próximas do limbo apresentam maior efeito sobre a curvatura corneal do que as realizadas próximas à zona óptica.
  4. D) Na figura B, as incisões arqueadas indicam tratar-se de paciente que apresentava astigmatismo hipermetrópico composto a favor da regra , antes da operação.

Pérola Clínica

Ceratotomia radial → instabilidade biomecânica + hipermetropia progressiva tardia + glare noturno.

Resumo-Chave

As incisões profundas da ceratotomia radial enfraquecem a estrutura corneal, resultando em aplanamento contínuo ao longo dos anos e flutuação da acuidade visual.

Contexto Educacional

A ceratotomia radial foi amplamente utilizada antes do advento do Excimer Laser. O conhecimento de suas complicações é vital para o oftalmologista moderno, pois muitos desses pacientes agora apresentam catarata. A instabilidade da curvatura corneal e a presença de incisões profundas tornam o manejo cirúrgico e o cálculo da lente intraocular extremamente desafiadores. Além da hipermetropia progressiva, a flutuação diurna da visão é característica, onde o paciente enxerga melhor pela manhã e pior ao final do dia (ou vice-versa), dependendo das alterações na hidratação corneal e pressão intraocular. O entendimento da técnica arqueada para astigmatismo também é relevante, lembrando que quanto mais central a incisão, maior seu poder de correção.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre hipermetropia progressiva após ceratotomia radial?

A hipermetropia progressiva é uma complicação tardia clássica da ceratotomia radial (RK). Ela ocorre devido à instabilidade biomecânica crônica causada pelas incisões profundas (geralmente 90% da espessura estromal). Com o passar dos anos, a pressão intraocular promove um aplanamento progressivo da região central da córnea, deslocando o erro refrativo para a hipermetropia. Esse fenômeno pode continuar por décadas após o procedimento original, dificultando a adaptação de lentes de contato e o cálculo de lentes intraoculares para cirurgia de catarata futura.

Quais são as principais queixas visuais noturnas nesses pacientes?

Pacientes submetidos a técnicas incisionais frequentemente relatam 'glare' (ofuscamento), halos ao redor de luzes e 'starbursts' (raios luminosos). Isso se deve às irregularidades na superfície corneal e às cicatrizes das incisões que cruzam o eixo visual quando a pupila se dilata em ambientes de baixa luminosidade. A dispersão da luz nas bordas das incisões compromete significativamente a sensibilidade ao contraste e a qualidade da visão noturna, sendo uma das queixas mais comuns a longo prazo.

Como a profundidade das incisões influencia o resultado?

Para que a ceratotomia tenha efeito refrativo, as incisões devem ser profundas, atingindo cerca de 90% a 95% da espessura estromal, deixando apenas uma pequena margem de segurança acima da membrana de Descemet. Incisões realizadas em apenas 50% da espessura, como sugerido em algumas alternativas incorretas, teriam efeito refrativo mínimo ou nulo. No entanto, essa profundidade extrema é justamente o que predispõe a córnea a complicações como microperfurações intraoperatórias e a instabilidade biomecânica tardia mencionada anteriormente.

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