FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Das lesões cutâneas pré-malignas descritas a seguir, é considerada como a mais prevalente:
Ceratose actínica = lesão pré-maligna cutânea mais comum (precursora do CEC).
A ceratose actínica resulta da exposição solar crônica e é a precursora mais frequente do carcinoma espinocelular, exigindo tratamento precoce.
A ceratose actínica representa o estágio inicial de um continuum que pode culminar no carcinoma espinocelular invasivo. Histologicamente, caracteriza-se por atipia citológica limitada aos estratos inferiores da epiderme. Quando essa atipia envolve toda a espessura da epiderme, a lesão é classificada como carcinoma espinocelular in situ (Doença de Bowen). A alta prevalência desta condição em países com alta incidência solar, como o Brasil, torna-a um tema central na saúde pública e dermatologia preventiva. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na palpação e inspeção, mas a biópsia é mandatória em casos de lesões hiperqueratósicas, infiltradas, dolorosas ou que não respondem ao tratamento inicial, para excluir invasão dérmica. A educação do paciente sobre fotoproteção é parte integrante do manejo clínico.
A ceratose actínica, também conhecida como ceratose solar, é uma lesão cutânea displásica que ocorre em áreas da pele cronicamente expostas à radiação ultravioleta (UV), como face, couro cabeludo calvo, orelhas e dorso das mãos. A radiação UV causa mutações no DNA dos queratinócitos, particularmente no gene supressor de tumor p53. Clinicamente, manifesta-se como máculas ou pápulas eritematosas, ásperas ao tato (textura de lixa), com escamas aderentes. É considerada a lesão pré-maligna mais prevalente na população mundial, especialmente em indivíduos de pele clara (fototipos I e II de Fitzpatrick) e idosos.
A ceratose actínica é considerada um precursor direto do Carcinoma Espinocelular (CEC). Embora a taxa de transformação de uma única lesão individual seja baixa (estimada entre 0,1% a 10% ao ano), a maioria dos pacientes apresenta múltiplas lesões devido ao dano solar acumulado em toda a região exposta (conceito de campo de cancerização). Estima-se que até 60% dos CECs surjam a partir de uma ceratose actínica pré-existente. Por essa razão, o tratamento de todas as lesões visíveis e do campo perilesional é recomendado para prevenir a progressão para neoplasia invasiva.
O tratamento pode ser direcionado à lesão individual ou ao campo de cancerização. Para lesões isoladas, a criocirurgia com nitrogênio líquido é o método mais comum e eficaz. Para pacientes com múltiplas lesões, utilizam-se terapias tópicas que tratam toda a área afetada, como o 5-fluorouracil (5-FU), o imiquimode ou o diclofenaco sódico. Outras opções incluem a terapia fotodinâmica (PDT), que utiliza um agente fotossensibilizante ativado por luz específica para destruir células displásicas, e o peeling químico. A escolha depende do número de lesões, localização e tolerância do paciente aos efeitos inflamatórios do tratamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo