CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017
Qual das ilustrações abaixo é a que melhor representa uma sutura considerada ideal, entre o leito receptor e a córnea enxertada, num transplante de córnea penetrante?
Sutura ideal em ceratoplastia → Profundidade de 90%, bordos coaptados e tensão radial simétrica.
A sutura ideal no transplante penetrante deve atingir quase a totalidade da espessura estromal (90%), garantindo a aposição perfeita das camadas e evitando o encarceramento da Descemet ou vazamentos.
A ceratoplastia penetrante (PK) exige uma técnica de sutura meticulosa para o sucesso a longo prazo. A interface entre o botão doador e o leito receptor é o local de maior vulnerabilidade mecânica e imunológica. A sutura ideal, representada graficamente por pontos que englobam quase todo o estroma sem penetrar a câmara anterior, visa mimetizar a arquitetura original da córnea. Além da profundidade, o 'sepultamento' do nó dentro do estroma é um passo crítico para reduzir o desconforto do paciente, prevenir a formação de granulomas e diminuir o risco de infecções secundárias. O residente deve dominar a manipulação do fio mononylon 10-0 e entender a dinâmica de cicatrização corneana, que é lenta devido à avascularidade, exigindo que os pontos permaneçam por meses ou até anos.
A profundidade ideal é de aproximadamente 90% da espessura estromal da córnea. Suturas que atingem essa profundidade garantem que as bordas do doador e do receptor fiquem perfeitamente alinhadas em toda a sua extensão vertical. Se a sutura for muito superficial, pode haver abertura da ferida na parte posterior (gap posterior), predispondo a edema e falência. Se for muito profunda (100%), pode atuar como um trajeto para micro-organismos ou causar vazamento de humor aquoso (Seidel positivo).
A tensão aplicada em cada ponto de sutura altera a curvatura da córnea. Suturas muito apertadas causam encurvamento excessivo naquele meridiano, enquanto suturas frouxas causam aplanamento. A sutura ideal deve ter passagens de comprimento igual no doador e no receptor e ser distribuída radialmente em relação ao centro da córnea. O uso de suturas interrompidas permite o ajuste seletivo do astigmatismo no pós-operatório através da remoção precoce de pontos em meridianos mais curvos.
As suturas interrompidas são preferidas em casos de vascularização corneana, processos inflamatórios ou quando o cirurgião deseja maior controle sobre o astigmatismo pós-operatório, permitindo remoções individuais. A sutura contínua (single ou double running) é mais rápida, distribui a tensão de forma mais uniforme e é excelente para córneas avasculares e estáveis, mas se o fio romper, toda a integridade da ferida pode ser comprometida, exigindo reintervenção imediata.
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