Ceratopatia em Faixa e Uveíte: Sinais de Cronicidade

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

O aparecimento desta alteração na córnea de um paciente com uveíte é sinal de:

Alternativas

  1. A) Evento agudo, com necessidade de intervenção medicamentosa urgente.
  2. B) Quadro crônico de longa duração.
  3. C) Reação idiossincrásica ao tratamento crônico.
  4. D) Recidiva de doença quiescente.

Pérola Clínica

Ceratopatia em faixa na uveíte = Sinal patognomônico de inflamação crônica de longa duração.

Resumo-Chave

A deposição de sais de cálcio na membrana de Bowman (ceratopatia em faixa) é uma complicação clássica de processos inflamatórios oculares persistentes e não agudos.

Contexto Educacional

A ceratopatia em faixa é um achado clínico que sinaliza um histórico de inflamação ocular prolongada ou alterações metabólicas sistêmicas (como hipercalcemia). Na oftalmologia, sua associação mais célebre é com a Uveíte Anterior Crônica não granulomatosa. Fisiopatologicamente, a deposição ocorre preferencialmente na área da fenda palpebral devido à maior exposição ao ar, o que leva à perda de CO2, aumento do pH local e maior evaporação lacrimal, facilitando a precipitação de cristais de cálcio. Sua presença em um exame de rotina deve alertar o médico para a investigação de doenças reumatológicas subjacentes em crianças ou insuficiência renal em adultos.

Perguntas Frequentes

O que é a ceratopatia em faixa?

É uma degeneração corneana caracterizada pela deposição de sais de cálcio (fosfato de cálcio) na camada de Bowman, epitélio e estroma anterior. Visualmente, aparece como uma faixa cinza-esbranquiçada na fenda palpebral intermarginal.

Qual a relação entre uveíte e ceratopatia em faixa?

A inflamação crônica altera o microambiente ocular e o pH, favorecendo a precipitação de cálcio. É especialmente comum em crianças com uveíte anterior crônica associada à Artrite Idiopática Juvenil (AIJ).

Como é feito o tratamento desta alteração corneana?

O tratamento é indicado se houver redução da acuidade visual ou irritação ocular. Consiste na quelação química com EDTA dissódico após a remoção do epitélio corneano (desbridamento), podendo ser associado ao PTK (ceratectomia fototerapêutica).

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