CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Sobre a ceratopatia cristalina, é correto afirmar:
Ceratopatia cristalina → Biofilme de S. viridans + Uso crônico de corticoides.
A ceratopatia cristalina infecciosa (ICK) é uma infecção indolente caracterizada por depósitos ramificados no estroma, fortemente associada à imunossupressão local por corticoides e cirurgias prévias.
A Ceratopatia Cristalina Infecciosa (ICK) representa um desafio terapêutico na oftalmologia devido à sua natureza indolente e à proteção conferida pelo biofilme bacteriano. Fisiopatologicamente, a ausência de inflamação significativa (ceratite 'fria') deve-se ao uso crônico de corticoides, que inibe a quimiotaxia de neutrófilos para o estroma. Os cristais observados à lâmpada de fenda são, na verdade, colônias bacterianas densamente compactadas entre as lamelas estromais. O tratamento geralmente requer a interrupção ou redução drástica dos corticoides e o uso prolongado de antibióticos fortificados. Em casos resistentes, pode ser necessária a realização de ceratoplastia ou o uso de laser (PTK) para romper o biofilme e permitir a penetração do fármaco. É uma questão clássica de prova que exige a distinção entre infecção, distrofia e depósitos metabólicos.
Os principais fatores de risco incluem o uso prolongado de corticosteroides tópicos, que alteram a resposta imune local, cirurgias oculares prévias (especialmente a ceratoplastia penetrante) e o uso de lentes de contato. A presença de uma sutura ou interface cirúrgica facilita a entrada e o sequestro de microrganismos, enquanto o corticoide permite que a bactéria se multiplique de forma indolente, sem desencadear uma resposta inflamatória exuberante, resultando no aspecto clínico típico de cristais ramificados no estroma corneano.
O agente etiológico mais frequentemente isolado na ceratopatia cristalina infecciosa é o Streptococcus viridans. Esta bactéria tem a capacidade de produzir um biofilme (glicocálice) que a protege tanto da ação do sistema imunológico do hospedeiro quanto da penetração de antibióticos. Isso explica por que a infecção é tão difícil de tratar e por que apresenta um curso clínico crônico e pouco inflamatório. Outros agentes como Staphylococcus e fungos podem ocorrer, mas são menos comuns.
A diferenciação é baseada na história clínica e na morfologia. A ICK geralmente é unilateral, associada a cirurgia prévia ou uso de corticoide, e apresenta cristais em padrão de 'folha de samambaia' ou ramificados. Causas metabólicas, como a cistinose, costumam apresentar cristais puntiformes e bilaterais. Já a Distrofia de Schnyder é uma condição genética autossômica dominante (não recessiva) que envolve depósitos de colesterol e se manifesta com opacidade central e arco senil precoce, sem relação com infecção ou imunossupressão.
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