CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Em paciente com ceratopatia bolhosa e edema de córnea secundário à insuficiência endotelial, qual dos produtos de uso tópico, dentre os abaixo, deve ser evitado?
Ceratopatia bolhosa → evitar inibidores da anidrase carbônica tópicos (podem descompensar a bomba endotelial).
Inibidores da anidrase carbônica (como dorzolamida) podem inibir a anidrase presente no endotélio corneano, prejudicando a deturgência da córnea e piorando o edema.
A ceratopatia bolhosa ocorre quando a densidade de células endoteliais cai abaixo de um nível crítico (geralmente < 500-800 células/mm²), tornando a bomba endotelial incapaz de compensar a entrada natural de água na córnea. Isso leva ao edema estromal e à formação de bolhas subepiteliais que, ao romperem, causam dor intensa e risco de infecção. No manejo do glaucoma associado à falência endotelial, a escolha do colírio é crítica. Enquanto betabloqueadores e análogos de prostaglandinas são seguros, os IACs devem ser evitados. O hialuronato de sódio (lubrificante) e o cloreto de sódio (hiperosmótico) são pilares do suporte, enquanto o ciclopentolato pode ser usado para alívio da dor por espasmo ciliar em casos de inflamação secundária.
O endotélio corneano depende da enzima anidrase carbônica para manter o gradiente iônico que permite a saída de água do estroma para o humor aquoso (bomba endotelial). IACs tópicos, como a dorzolamida, podem inibir essa função enzimática no endotélio, reduzindo sua capacidade de manter a córnea transparente e piorando o edema pré-existente.
O tratamento inicial foca na redução do edema estromal e epitelial. Utilizam-se agentes hiperosmóticos tópicos (como cloreto de sódio 5% em gotas ou pomada) para 'puxar' a água da córnea por osmose. Lentes de contato terapêuticas também podem ser usadas para reduzir a dor causada pela ruptura das bolhas epiteliais.
O transplante é indicado quando o tratamento clínico não é mais suficiente para manter a visão ou controlar a dor crônica. Atualmente, prefere-se o transplante endotelial (DSAEK ou DMEK), que substitui apenas a camada doente (endotélio), oferecendo recuperação visual mais rápida e menor risco de rejeição comparado ao transplante penetrante.
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