Cálculo da Lente Lacrimal na Adaptação de Lentes de Contato

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Um paciente com a ceratometria de 44,00/48,00 optou por adaptação de lente de contato. Foi adaptada uma de curva base (CB) 45,00. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A lente lacrimal formada será de +3,00 D, uma vez que a diferença entre o meridiano mais curvo da lente e a CB corresponde a esse valor.
  2. B) O conceito de K se aplica ao meridiano mais plano, e sua diferença com a CB resulta em uma lente positiva de +1,00 D.
  3. C) O paciente com esse valor de ceratometria não poderia usar lentes de contato, uma vez que há ectasia corneana muito importante.
  4. D) O valor do meridiano mais curvo da lente da córnea é chamado de K, e lentes adaptadas com CB mais curva que K formam uma lente lacrimal com poder dióptrico de -1,00 D.

Pérola Clínica

CB mais curva que o K (meridiano plano) → Lente lacrimal positiva (filme de lágrima).

Resumo-Chave

Na adaptação de lentes de contato rígidas, a relação entre a curva base (CB) da lente e o meridiano mais plano da córnea (K) determina o poder da lente lacrimal: se CB > K, a lente lacrimal é positiva.

Contexto Educacional

A adaptação de lentes de contato rígidas gás-permeáveis (RGP) baseia-se em princípios de óptica geométrica e na interação entre a lente e a superfície corneana. A ceratometria fornece os valores dos dois meridianos principais da córnea. O meridiano mais plano é o ponto de partida para a escolha da curva base da lente. Quando a curva base da lente é mais curva que o meridiano plano (K), o menisco lacrimal central torna-se mais espesso, agindo como uma lente convergente (positiva). Inversamente, uma lente mais plana que K cria um menisco lacrimal divergente (negativo). Compreender essa dinâmica é fundamental para o ajuste fino da prescrição óptica e para garantir o conforto e a saúde fisiológica da córnea do usuário.

Perguntas Frequentes

O que é o conceito de 'K' na ceratometria?

Na prática da contatologia, o termo 'K' refere-se habitualmente ao meridiano mais plano da córnea medido pela ceratometria. Quando adaptamos uma lente de contato, usamos esse valor como referência para determinar a curva base (CB) da lente. Se a CB da lente for igual ao valor de K, dizemos que a lente foi adaptada 'em K'. Se a CB for mais curva que K, a adaptação é 'mais curva que K', e se for mais plana, é 'mais plana que K'.

Como se forma a lente lacrimal e qual seu poder?

A lente lacrimal é o filme de lágrima que preenche o espaço entre a face posterior da lente de contato e a face anterior da córnea. Seu poder dióptrico é determinado pela diferença entre a curva base da lente e a curvatura da córnea. A regra prática é: para cada 0,05 mm ou 0,25 D que a lente for mais curva que o meridiano plano da córnea (K), adiciona-se +0,25 D de poder positivo à lente lacrimal. No caso da questão, CB (45,00) - K (44,00) = +1,00 D.

Por que o cálculo da lente lacrimal é importante?

O cálculo é essencial para determinar o grau final da lente de contato que o paciente deve usar. Como a lente lacrimal possui poder dióptrico próprio, ela altera a refração total do sistema ocular. Se a lente lacrimal for positiva (adaptação curva), devemos subtrair esse valor do grau da lente de contato (SAM - Steep Add Minus). Se for negativa (adaptação plana), devemos somar (FAP - Flat Add Plus), garantindo que o paciente receba a correção exata necessária.

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