CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Paciente do sexo masculino, 48 anos de idade, com história de asma e rinite alérgica. Queixa-se de irritação ocular crônica e sensação de corpo estranho. O exame clínico evidenciou as alterações demonstradas na foto. Está correto afirmar:
Atopia + irritação crônica + papilas → Ceratoconjuntivite Vernal (Histologia: Cistos de inclusão epitelial).
A ceratoconjuntivite vernal é uma inflamação ocular bilateral grave associada à atopia. O exame histopatológico das papilas revela hiperplasia epitelial e cistos de inclusão característicos.
A ceratoconjuntivite vernal (VKC) é uma forma grave e crônica de alergia ocular que afeta tipicamente crianças e adultos jovens do sexo masculino com histórico de atopia (asma, rinite, dermatite). Diferencia-se da conjuntivite alérgica comum pelo envolvimento corneano potencial e pela presença de papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior ou nódulos no limbo. A fisiopatologia envolve uma resposta de hipersensibilidade combinada (Tipo I mediada por IgE e Tipo IV mediada por células Th2). O diagnóstico é predominantemente clínico, mas o conhecimento histopatológico — evidenciando a remodelação tecidual, infiltração eosinofílica e formação de cistos — reforça a natureza proliferativa e inflamatória crônica da doença, justificando terapias imunomoduladoras mais agressivas em casos recalcitrantes.
Os corpúsculos de Horner-Trantas são pequenos pontos esbranquiçados e elevados localizados no limbo, compostos por acúmulos de eosinófilos e restos de células epiteliais. São achados patognomônicos da forma límbica da ceratoconjuntivite vernal e indicam atividade da doença.
Histologicamente, as papilas gigantes na conjuntivite vernal apresentam um núcleo fibrovascular central cercado por intensa infiltração de células inflamatórias (eosinófilos, mastócitos, linfócitos). É comum observar hiperplasia do epitélio conjuntival com a formação de cistos epiteliais de inclusão, que podem conter ceratina e restos celulares.
O tratamento envolve o controle da atopia sistêmica e medidas locais. Utilizam-se estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos tópicos para manutenção. Nas crises, corticoides tópicos são necessários, mas devem ser usados com cautela pelo risco de glaucoma e catarata. Casos graves podem exigir imunomoduladores tópicos como a ciclosporina ou tacrolimus.
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