CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
Criança com queixa de fotofobia e lacrimejamento apresenta em ambos os olhos as lesões observadas nas fotos abaixo. É correto afirmar:
Fotofobia + Lacrimejamento + Papilas gigantes → Ceratoconjuntivite Vernal.
A ceratoconjuntivite vernal (VKC) é uma inflamação ocular bilateral grave, comum em crianças do sexo masculino, caracterizada por uma resposta de hipersensibilidade tipo I e IV, frequentemente associada a atopia.
A ceratoconjuntivite vernal representa um desafio terapêutico devido ao seu caráter crônico e recorrente. A fisiopatologia envolve uma cascata complexa de mastócitos, eosinófilos e linfócitos Th2. O tratamento baseia-se no controle ambiental, uso de estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos. Em casos moderados a graves, imunomoduladores como a ciclosporina ou tacrolimus tópico são preferidos para poupar o uso prolongado de corticoides, que podem causar glaucoma e catarata iatrogênica. A complicação mais temida é a ceratite em escudo, uma úlcera estéril central ou paracentral que resulta da toxicidade de mediadores inflamatórios liberados pelas papilas superiores. O acompanhamento oftalmológico rigoroso é essencial para preservar a integridade da superfície ocular e a visão do paciente pediátrico.
Os sinais cardinais incluem papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior (aspecto de 'pedras de calçamento'), hiperemia conjuntival, secreção mucosa espessa (filante) e os pontos de Horner-Trantas (acúmulos de eosinófilos no limbo). A fotofobia intensa é um sintoma marcante que indica sofrimento corneano.
A vernal (VKC) ocorre tipicamente em crianças e adolescentes do sexo masculino, com melhora após a puberdade, e apresenta papilas gigantes superiores. A atópica (AKC) é mais comum em adultos com dermatite atópica grave, tende a ser perene e afeta mais a conjuntiva tarsal inferior, podendo causar simbléfaro.
Diferente das conjuntivites virais ou bacterianas, a ceratoconjuntivite vernal não é contagiosa. Trata-se de uma doença inflamatória de base imunológica (alérgica). Portanto, não há necessidade de isolamento ou exame de contatados, a menos que apresentem sintomas semelhantes por predisposição genética familiar.
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