Ceratoconjuntivite Vernal: Manejo e Diagnóstico Diferencial

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Criança com queixa de fotofobia e lacrimejamento apresenta em ambos os olhos as lesões observadas nas fotos abaixo. É correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Derivados tópicos da tetraciclina representam o tratamento de escolha
  2. B) É necessário realizar raspado da córnea e conjuntiva para análise laboratorial antes do início do tratamento com antibióticos
  3. C) Trata-se de ceratoconjuntivite alérgica, em atividade
  4. D) Pessoas contatadas devem ser examinadas pelo risco de contágio

Pérola Clínica

Fotofobia + Lacrimejamento + Papilas gigantes → Ceratoconjuntivite Vernal.

Resumo-Chave

A ceratoconjuntivite vernal (VKC) é uma inflamação ocular bilateral grave, comum em crianças do sexo masculino, caracterizada por uma resposta de hipersensibilidade tipo I e IV, frequentemente associada a atopia.

Contexto Educacional

A ceratoconjuntivite vernal representa um desafio terapêutico devido ao seu caráter crônico e recorrente. A fisiopatologia envolve uma cascata complexa de mastócitos, eosinófilos e linfócitos Th2. O tratamento baseia-se no controle ambiental, uso de estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos. Em casos moderados a graves, imunomoduladores como a ciclosporina ou tacrolimus tópico são preferidos para poupar o uso prolongado de corticoides, que podem causar glaucoma e catarata iatrogênica. A complicação mais temida é a ceratite em escudo, uma úlcera estéril central ou paracentral que resulta da toxicidade de mediadores inflamatórios liberados pelas papilas superiores. O acompanhamento oftalmológico rigoroso é essencial para preservar a integridade da superfície ocular e a visão do paciente pediátrico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da Ceratoconjuntivite Vernal?

Os sinais cardinais incluem papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior (aspecto de 'pedras de calçamento'), hiperemia conjuntival, secreção mucosa espessa (filante) e os pontos de Horner-Trantas (acúmulos de eosinófilos no limbo). A fotofobia intensa é um sintoma marcante que indica sofrimento corneano.

Como diferenciar a conjuntivite vernal da atópica?

A vernal (VKC) ocorre tipicamente em crianças e adolescentes do sexo masculino, com melhora após a puberdade, e apresenta papilas gigantes superiores. A atópica (AKC) é mais comum em adultos com dermatite atópica grave, tende a ser perene e afeta mais a conjuntiva tarsal inferior, podendo causar simbléfaro.

Qual o risco de contágio da ceratoconjuntivite vernal?

Diferente das conjuntivites virais ou bacterianas, a ceratoconjuntivite vernal não é contagiosa. Trata-se de uma doença inflamatória de base imunológica (alérgica). Portanto, não há necessidade de isolamento ou exame de contatados, a menos que apresentem sintomas semelhantes por predisposição genética familiar.

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