CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Resposta: Considerando as frases abaixo, é correto afirmar, como relacionadas a ceratoconjuntivite: I. Acomete com maior frequência os homens do que as mulheres. II. Úlcera em escudo é frequente. III. Cicatrizes Conjuntivais São Comuns e Exuberantes. IV. Acomete mais a conjuntiva tarsal inferior. V. Acomete mais a conjuntiva tarsal superior. VI. Geralmente tem resolução espontânea após a puberdade.
Vernal (VKC): Meninos, papilas superiores, úlcera em escudo e resolução espontânea pós-puberdade.
A Ceratoconjuntivite Vernal é uma forma grave de alergia ocular que afeta predominantemente crianças do sexo masculino em climas quentes, caracterizada por envolvimento tarsal superior e risco de ceratopatia.
A Ceratoconjuntivite Vernal (VKC) é uma inflamação bilateral da superfície ocular, mediada por mecanismos de hipersensibilidade tipo I (IgE-dependente) e tipo IV (celular). É mais comum em regiões de clima quente e seco. Existem três formas clínicas: tarsal (papilas gigantes superiores), limbar (nódulos de Horner-Trantas) e mista. O sintoma cardinal é o prurido intenso, acompanhado de fotofobia e secreção mucosa espessa. O manejo clínico envolve medidas de controle ambiental, compressas frias e farmacoterapia. Os estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos são a base da manutenção. Em crises, corticoides tópicos são necessários, mas devem ser usados com cautela pelo risco de glaucoma e catarata. Imunomoduladores tópicos, como ciclosporina e tacrolimus, ganharam destaque como poupadores de corticoide em casos recalcitrantes. O reconhecimento precoce da úlcera em escudo é vital para evitar cicatrizes corneanas permanentes e perda visual.
A úlcera em escudo é uma complicação corneana grave e característica da Ceratoconjuntivite Vernal (VKC). Ela se desenvolve devido ao trauma mecânico causado pelas papilas gigantes da conjuntiva tarsal superior associado à liberação de mediadores inflamatórios e proteínas básicas dos eosinófilos (como a proteína básica maior). É tipicamente uma úlcera estéril, rasa, de localização superior ou central, com bordas elevadas e um fundo coberto por muco e fibrina. O tratamento requer controle agressivo da inflamação com corticoides tópicos, estabilizadores de mastócitos e, por vezes, desbridamento cirúrgico da base da úlcera para permitir a reepitelização.
A Ceratoconjuntivite Vernal é classicamente descrita como uma doença da infância e adolescência. A observação clínica mostra que a grande maioria dos pacientes apresenta uma resolução espontânea ou uma melhora significativa dos sintomas ao atingir a puberdade. Embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido, acredita-se que mudanças hormonais influenciem a reatividade do sistema imunológico e a estabilidade dos mastócitos na superfície ocular. Diferente da Ceratoconjuntivite Atópica, que é uma condição crônica que persiste pela vida adulta e está associada à dermatite atópica, a VKC tem esse caráter autolimitado no tempo, apesar de sua gravidade durante a fase ativa.
A diferenciação é baseada na idade, localização e associações sistêmicas. A VKC afeta crianças (especialmente meninos), tem sazonalidade (piora no calor), apresenta papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior e frequentemente resolve na puberdade. Já a AKC afeta adultos jovens a meia-idade, está fortemente associada à dermatite atópica grave, é perene (o ano todo), apresenta papilas menores e acomete preferencialmente a conjuntiva tarsal inferior. Além disso, a AKC tem maior tendência a causar cicatrização conjuntival progressiva, simbléfaro e vascularização corneana periférica, sendo considerada uma condição potencialmente mais ameaçadora à visão a longo prazo.
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