CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Criança do sexo masculino, com queixa de prurido ocular intenso há pelo menos dois anos e história pessoal e familiar de atopia. Refere que os sintomas costumam piorar entre os meses de novembro a março. O exame clínico evidenciou nos dois olhos hiperemia conjuntival difusa, papilas muito hipertróficas na conjuntiva tarsal superior, secreção mucoide, limbo com aspecto gelatinoso, inúmeras lesões puntiformes e esbranquiçadas depositadas na circunferência do limbo e ceratopatia ponteada difusa. Com relação ao caso, afirmar:
Ceratoconjuntivite Vernal = Hipersensibilidade I + IV + Papilas Gigantes + Pontos de Horner-Trantas.
A ceratoconjuntivite vernal é uma inflamação ocular bilateral grave, mediada por mecanismos de hipersensibilidade imediata (IgE) e tardia (celular), afetando tipicamente crianças do sexo masculino em climas quentes.
A ceratoconjuntivite vernal representa uma das formas mais graves de alergia ocular, com potencial de causar cegueira devido a complicações corneanas como a úlcera em escudo e a ceratopatia ponteada intensa. A fisiopatologia é marcada por uma resposta Th2 exacerbada, com produção de citocinas como IL-4, IL-5 e IL-13, que recrutam eosinófilos para a superfície ocular. O prurido intenso é o sintoma cardinal, levando ao ciclo vicioso de coceira e trauma mecânico, que pode predispor ao ceratocone. O tratamento baseia-se no controle ambiental, uso de estabilizadores de membrana de mastócitos e anti-histamínicos tópicos. Em crises, corticosteroides tópicos são necessários, mas devem ser usados com cautela devido ao risco de glaucoma e catarata. Imunomoduladores tópicos, como a ciclosporina ou tacrolimus, são excelentes alternativas para poupar o uso de corticoides em casos crônicos e graves. A história natural da doença geralmente mostra resolução espontânea após a puberdade, ao contrário da conjuntivite atópica.
A ceratoconjuntivite vernal (CCV) é uma doença complexa que envolve tanto a hipersensibilidade do tipo I (imediata, mediada por IgE e degranulação de mastócitos) quanto a do tipo IV (tardia, mediada por células T, especificamente Th2). Essa combinação explica a cronicidade e a gravidade da inflamação. A ativação de mastócitos libera histamina e outros mediadores que causam prurido e edema imediato, enquanto a infiltração de eosinófilos, neutrófilos e linfócitos T na conjuntiva promove a remodelação tecidual, resultando na formação de papilas gigantes e danos à córnea.
Os pontos de Horner-Trantas são pequenos depósitos esbranquiçados e elevados localizados no limbo (junção entre a córnea e a esclera). Eles são compostos por agregados de eosinófilos e células epiteliais degeneradas. Sua presença é um sinal clínico altamente característico da ceratoconjuntivite vernal, indicando atividade inflamatória intensa. Embora possam causar desconforto, eles não são infecciosos e tendem a desaparecer com o tratamento anti-inflamatório adequado, não havendo indicação para remoção cirúrgica rotineira.
A ceratoconjuntivite vernal (CCV) acomete principalmente crianças e adolescentes do sexo masculino, tem caráter sazonal (piora no calor) e as papilas gigantes localizam-se preferencialmente na conjuntiva tarsal superior. Já a ceratoconjuntivite atópica (CCA) é mais comum em adultos jovens, está associada à dermatite atópica grave, é perene (ocorre o ano todo) e as papilas tendem a ser menores e localizadas predominantemente na conjuntiva tarsal inferior. Além disso, a CCA apresenta maior risco de vascularização corneana e catarata subcapsular.
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