CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
São características clínicas da ceratoconjuntivite primaveril:
Ceratoconjuntivite primaveril → Meninos, idade escolar, melhora na puberdade e prurido intenso.
A ceratoconjuntivite primaveril é uma forma grave de alergia ocular, bilateral e recorrente, que afeta predominantemente crianças do sexo masculino e tende a regredir espontaneamente após a puberdade.
A ceratoconjuntivite primaveril é uma das formas mais desafiadoras de alergia ocular devido ao seu potencial de causar danos permanentes à visão. Diferente da conjuntivite alérgica sazonal leve, a CVP envolve uma ativação massiva de eosinófilos, mastócitos e linfócitos T. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de recorrência sazonal (piora no calor/primavera) e nos achados típicos de biomicroscopia. O tratamento visa controlar a inflamação para evitar cicatrizes corneanas e o desenvolvimento de glaucoma ou catarata iatrogênica pelo uso prolongado de corticoides.
A ceratoconjuntivite primaveril (CVP) apresenta-se em três formas principais: 1) Palpebral: caracterizada por papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior (aspecto de 'pedras de calçamento'); 2) Límbica: com nódulos gelatinosos no limbo e pontos de Horner-Trantas (depósitos de eosinófilos e células epiteliais); 3) Mista: combinando ambas as características. A forma límbica é mais comum em indivíduos de ascendência africana ou asiática, enquanto a palpebral é frequente em caucasianos. Ambas causam prurido intenso, fotofobia e secreção mucosa espessa.
A epidemiologia da CVP mostra uma forte predileção pelo sexo masculino (proporção de até 3:1 ou 4:1) e início geralmente antes dos 10 anos de idade. A fisiopatologia envolve uma resposta imune complexa (mecanismos de hipersensibilidade tipo I e tipo IV). Curiosamente, a grande maioria dos pacientes apresenta uma melhora significativa ou remissão completa dos sintomas após a puberdade, sugerindo uma influência hormonal ou maturação do sistema imunológico que altera a reatividade conjuntival ao longo do tempo.
Devido à inflamação crônica e ao trauma mecânico das papilas gigantes, a córnea pode ser afetada. A complicação mais característica é a ceratite ponteada superficial, que pode evoluir para a 'úlcera em escudo' (shield ulcer) — uma erosão epitelial estéril e ovalada no terço superior da córnea. Além disso, o ato crônico de coçar os olhos (prurido intenso) está fortemente associado ao desenvolvimento de ceratocone nesses pacientes. O manejo envolve corticoides tópicos (com cautela), estabilizadores de mastócitos, imunomoduladores (ciclosporina/tacrolimus) e controle ambiental.
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