Complicações de Lentes de Contato: SLK e GPC

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Com relação às complicações associadas ao uso de lentes de contato, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A ceratoconjuntivite límbica superior, induzida pelo uso de lente de contato, raramente está associada à ceratite filamentar.
  2. B) Conjuntivite papilar gigante é mais frequente em usuários de lentes ele contato rígidas do que gelatinosas.
  3. C) Blefaroptose é mais frequente em usuários de lentes gelatinosas, raramente ocorrendo nos usuários de lentes rígidas.
  4. D) A dessecação da córnea (síndrome das 3 e 9 h) está mais frequentemente associada às lentes de borda espessa e diâmetro muito pequeno, em função ela sua mobilidade exacerbada.

Pérola Clínica

SLK por lente de contato ≠ SLK idiopática; a induzida por lente raramente apresenta ceratite filamentar.

Resumo-Chave

A ceratoconjuntivite límbica superior (SLK) induzida por lentes de contato é uma reação inflamatória da conjuntiva superior que, ao contrário da forma idiopática de Theodore, raramente cursa com filamentos corneanos.

Contexto Educacional

O uso de lentes de contato, embora seguro quando bem orientado, pode levar a diversas complicações de ordem mecânica, hipóxica ou imunológica. A ceratoconjuntivite límbica superior (SLK) induzida por lentes é um exemplo de reação inflamatória que mimetiza doenças sistêmicas, mas possui gatilhos locais claros. A compreensão das diferenças entre as formas idiopáticas e as induzidas por lentes é crucial para evitar tratamentos sistêmicos desnecessários. Além disso, alterações palpebrais como a blefaroptose são mais comuns em usuários de lentes rígidas devido ao trauma mecânico crônico do músculo levantador da pálpebra superior durante a inserção e remoção da lente. O conhecimento dessas nuances permite ao oftalmologista realizar um ajuste preciso da lente e orientar o paciente sobre os riscos a longo prazo, garantindo a saúde da superfície ocular.

Perguntas Frequentes

O que diferencia a SLK induzida por lente de contato da SLK de Theodore?

A Ceratoconjuntivite Límbica Superior (SLK) de Theodore é uma condição idiopática, frequentemente associada a disfunções tireoidianas, caracterizada por inflamação da conjuntiva tarsal e bulbar superior, com presença marcante de ceratite filamentar. Já a SLK induzida por lentes de contato (geralmente gelatinosas) é uma resposta a insultos mecânicos ou toxicidade a preservativos (como o timerosal). A principal diferença clínica é que a forma induzida por lentes raramente apresenta filamentos corneanos e tende a resolver-se rapidamente com a suspensão do uso da lente e a troca do sistema de limpeza, enquanto a forma idiopática é crônica e de difícil manejo.

Por que a Conjuntivite Papilar Gigante é mais comum em lentes gelatinosas?

A Conjuntivite Papilar Gigante (GPC) é uma reação inflamatória da conjuntiva tarsal superior. Ela é mais frequente em usuários de lentes gelatinosas (especialmente as de descarte prolongado) porque essas lentes acumulam depósitos de proteínas desnaturadas em sua superfície com mais facilidade do que as lentes rígidas. Esses depósitos atuam como antígenos, desencadeando uma resposta de hipersensibilidade tipo I e IV. Além do componente imunológico, o trauma mecânico constante da borda da lente contra a conjuntiva tarsal contribui para a hipertrofia papilar. O tratamento envolve a suspensão temporária das lentes, melhora da higiene e uso de estabilizadores de mastócitos.

O que causa a síndrome das 3 e 9 horas em usuários de lentes rígidas?

A síndrome das 3 e 9 horas é uma forma de ceratite por exposição ou dessecação periférica que ocorre especificamente em usuários de lentes de contato rígidas gás-permeáveis (RGP). Ela é causada por uma interrupção do filme lacrimal nas regiões interpalpebrais (posições de 3 e 9 horas no relógio) devido à elevação da borda da lente ou à má centralização, que impede que a pálpebra distribua a lágrima adequadamente nessas áreas. Lentes com diâmetros muito pequenos, bordas espessas ou excessiva mobilidade exacerbam o problema. O manejo clínico inclui o ajuste do desenho da lente (diâmetro maior ou bordas mais finas) e o uso de lubrificantes oculares.

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