Ceratoconjuntivite Límbica Superior e Doença da Tireoide

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Mulheres, entre 20 e 70 anos de idade, com história de hiperemia ocular recorrente, predominantemente na região da conjuntiva bulbar superior associada a reação conjuntival papilar, ceratite filamentar e positividade sérica dos anticorpos antiperoxidase e antirreoglobulina, provavelmente apresentam:

Alternativas

  1. A) Ceratoconjuntivite límbica superior
  2. B) Tracoma
  3. C) Conjuntivite oculoglandular de Parinaud
  4. D) Síndrome de Sjogren

Pérola Clínica

Ceratoconjuntivite límbica superior (SLK) → Investigar sempre disfunção tireoidiana (Anti-TPO/TG).

Resumo-Chave

A SLK é uma inflamação crônica do limbo superior, caracterizada por hiperemia bulbar superior e ceratite filamentar, fortemente associada a doenças autoimunes da tireoide.

Contexto Educacional

A Ceratoconjuntivite Límbica Superior (SLK) é uma entidade clínica distinta que afeta predominantemente mulheres de meia-idade. A fisiopatologia envolve uma inflamação crônica induzida mecanicamente. A coloração com rosa bengala ou verde lisamina é extremamente útil no diagnóstico, revelando uma marcação intensa da conjuntiva bulbar superior e do limbo. A associação com a tireoide é tão forte que a SLK pode ser a primeira manifestação de um distúrbio endócrino ainda não diagnosticado. Portanto, a triagem com TSH, T4 livre e anticorpos tireoidianos é mandatória em todos os casos confirmados de SLK.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Ceratoconjuntivite Límbica Superior (SLK)?

A SLK, ou Ceratoconjuntivite de Theodore, caracteriza-se por inflamação crônica da conjuntiva bulbar superior, limbo superior e córnea adjacente. Os sinais clássicos incluem hiperemia intensa da conjuntiva bulbar superior, reação papilar na conjuntiva tarsal superior, espessamento límbico e ceratite filamentar na metade superior da córnea.

Qual a relação entre SLK e a tireoide?

Aproximadamente 25% a 50% dos pacientes com SLK apresentam disfunção tireoidiana, mais comumente a Doença de Graves (hipertiroidismo). A presença de anticorpos antiperoxidase (Anti-TPO) e antirreoglobulina é um marcador importante. Acredita-se que a SLK possa ser causada por um microtrauma mecânico entre a conjuntiva bulbar superior redundante e a pálpebra, exacerbado pela proptose ou disfunção palpebral na doença tireoidiana.

Como é feito o tratamento da SLK?

O tratamento clínico inclui lubrificantes sem conservantes, agentes mucolíticos (acetilcisteína) para os filamentos e esteroides tópicos em crises. Em casos recalcitrantes, pode-se utilizar a cauterização com nitrato de prata da conjuntiva bulbar superior ou a ressecção cirúrgica da conjuntiva bulbar superior redundante. O controle da doença tireoidiana sistêmica é fundamental.

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