HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Homem de 32 anos, funileiro, dá entrada no Pronto-Atendimento de madrugada, relatando quadro de dor ocular bilateral intensa, com fotofobia, sensação de areia nos olhos e hiperemia facial. Neste caso, a sequência correta para a conduta é:
Soldador + dor intensa + fotofobia → Ceratoconjuntivite actínica (Conduta: Analgesia + Oclusão + Especialista).
A ceratoconjuntivite actínica decorre da exposição à radiação ultravioleta, causando descamação epitelial corneana. O manejo foca no alívio sintomático e proteção da superfície ocular.
A ceratoconjuntivite actínica é uma das emergências oftalmológicas ocupacionais mais comuns em prontos-socorros. O quadro clínico é clássico: um trabalhador (funileiro, soldador) que apresenta dor ocular bilateral excruciante, geralmente de madrugada, algumas horas após o turno de trabalho. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e no exame com fluoresceína que revela ceratite ponteada. O tratamento baseia-se no tripé: analgesia sistêmica (anti-inflamatórios e analgésicos potentes), pomadas antibióticas profiláticas para lubrificação e prevenção de infecção, e oclusão ocular. O encaminhamento ao oftalmologista é essencial para descartar corpos estranhos metálicos retidos, que frequentemente coexistem com a queimadura actínica em trabalhadores metalúrgicos.
A ceratoconjuntivite actínica é uma inflamação da córnea e da conjuntiva causada pela exposição aguda à radiação ultravioleta (UV), comum em trabalhadores que utilizam solda elétrica sem proteção adequada (arco de solda). A radiação UV é absorvida pelo epitélio corneano, levando à fragmentação do DNA celular e morte celular programada (apoptose). Isso resulta em uma ceratite ponteada superficial ou descamação epitelial difusa. Os sintomas geralmente aparecem de 6 a 12 horas após a exposição, caracterizando-se por dor intensa, fotofobia, lacrimejamento e sensação de corpo estranho devido à exposição das terminações nervosas da córnea.
A oclusão ocular (curativo compressivo monocular ou binocular, dependendo da gravidade) é indicada para promover o conforto do paciente e acelerar a reepitelização da córnea. Ao manter as pálpebras fechadas, evita-se o atrito constante do piscar sobre a área desepitelizada, que é extremamente doloroso. Além disso, a oclusão protege o olho de estímulos luminosos (fotofobia) e de contaminantes externos. Geralmente, a oclusão é mantida por 24 a 48 horas, tempo necessário para que o epitélio corneano se regenere, o que costuma ocorrer de forma rápida e sem sequelas se não houver infecção secundária.
Não. O uso de colírios anestésicos (como a proximetacaína) deve ser restrito ao ambiente hospitalar para facilitar o exame físico e a limpeza ocular. A prescrição para uso domiciliar é terminantemente proibida, pois o anestésico tópico é tóxico para o epitélio corneano, inibe a divisão celular e a migração epitelial, retardando a cicatrização. Além disso, a perda da sensibilidade protetora predispõe a novos traumas e infecções (ceratite microbiana) que o paciente não perceberá devido à analgesia, podendo evoluir para perfuração ocular e perda da visão.
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