CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Qual o antibiótico tópico mais indicado para o tratamento da ceratite por micobactéria atípica, em paciente após cirurgia refrativa do tipo LASIK?
Ceratite pós-LASIK por micobactéria atípica → Amicacina fortificada (2% a 4%) é a droga de escolha.
Micobactérias não tuberculosas (atípicas) são causas clássicas de ceratite tardia pós-LASIK. A amicacina apresenta a melhor sensibilidade in vitro e eficácia clínica para esses patógenos.
As micobactérias não tuberculosas (MNT) são organismos onipresentes no ambiente que podem contaminar instrumentos cirúrgicos ou soluções. No contexto do LASIK, a criação da interface cria um espaço potencial para o sequestro desses microrganismos. A dificuldade diagnóstica reside no crescimento lento em meios de cultura padrão, exigindo meios específicos como o ágar Lowenstein-Jensen e incubação prolongada. O manejo clínico exige paciência, pois a resposta terapêutica é lenta. Além da amicacina, a claritromicina oral e colírios de linezolida têm sido estudados como adjuvantes. É fundamental suspender corticoides tópicos imediatamente ao suspeitar de infecção por micobactéria, pois eles podem exacerbar a replicação bacteriana e mascarar a inflamação.
A amicacina, um aminoglicosídeo, demonstra alta eficácia contra micobactérias de crescimento rápido, como Mycobacterium chelonae e Mycobacterium fortuitum, que são os agentes mais comuns em infecções de interface após LASIK. Embora algumas fluoroquinolonas tenham atividade, a resistência é crescente, tornando a amicacina fortificada (20-40 mg/ml) o padrão-ouro terapêutico inicial após a coleta de material para cultura.
Geralmente manifesta-se de forma subaguda ou tardia (semanas a meses após a cirurgia). O paciente apresenta infiltrados granulares multifocais na interface do flap, muitas vezes descritos como 'crinas de cavalo' ou aparência de 'vidro moído', com mínima reação de câmara anterior inicialmente, o que pode retardar o diagnóstico correto.
Em casos de ceratite de interface pós-LASIK que não respondem ao tratamento tópico fortificado, pode ser necessário o levantamento do flap para irrigação direta com antibióticos (como a própria amicacina ou claritromicina) ou, em casos graves e recalcitrantes, a amputação do flap (flapectomia) para remover o nicho infeccioso e permitir melhor penetração das drogas.
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