CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Grande parte das controvérsias relacionados ao tratamento da ceratite causada pelo vírus herpes simples foi esclarecida pelo estudo HEDS (Herpetic Eye Disease Study - 2001). Com relação a ele, é correto afirmar:
HEDS → Não houve correlação entre sol, estresse ou ciclo menstrual e recorrência de ceratite herpética.
O HEDS estabeleceu que o uso de corticoides tópicos é benéfico na ceratite estromal imune e que a profilaxia oral reduz recorrências em 50%.
O Herpetic Eye Disease Study (HEDS) é o maior ensaio clínico multicêntrico sobre herpes ocular. Seus resultados moldaram o manejo atual, validando o papel dos antivirais orais não apenas no tratamento da doença ativa (como na iridociclite herpética), mas principalmente na profilaxia a longo prazo. A compreensão de que a ceratite estromal é predominantemente uma resposta imune ao antígeno viral justifica o uso criterioso de corticoides sob cobertura antiviral.
O HEDS demonstrou que o uso de corticosteroides tópicos, quando associados a um antiviral tópico (como a trifluridina), é eficaz e seguro no tratamento da ceratite estromal imune, reduzindo significativamente o tempo de resolução da inflamação e prevenindo a progressão da doença, sem aumentar os riscos de complicações se usados corretamente.
O estudo mostrou que o uso de aciclovir oral (400mg, 2x ao dia) por um período de 12 meses reduz o risco de qualquer forma de recorrência de herpes ocular em aproximadamente 45% a 50%. O benefício foi particularmente notável em pacientes com histórico prévio de ceratite estromal, prevenindo novas crises desta forma mais grave da doença.
Surpreendentemente, o HEDS não encontrou correlação estatística significativa entre os gatilhos comumente citados (estresse, exposição solar, febre, ciclo menstrual ou trauma) e a recorrência da ceratite herpética. Embora clinicamente muitos pacientes relatem esses fatores, o estudo prospectivo não conseguiu validar essas associações como causas diretas de reativação viral.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo