Ceratite por Acanthamoeba: Diagnóstico e Fatores de Risco

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Fotofobia e dor intensa e aguda de origem ocular de intensidades desproporcionais aos achados clínicos biomicroscópicos, em um paciente usuário de lentes de contato, estão mais provavelmente associadas à infecção de qual etiologia?

Alternativas

  1. A) Propionibacterium
  2. B) Fusarium
  3. C) Acanthamoeba
  4. D) Neisseria

Pérola Clínica

Dor ocular desproporcional aos achados + Lente de contato → Suspeite de Acanthamoeba.

Resumo-Chave

A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção grave e dolorosa, tipicamente associada ao uso de lentes de contato e exposição a água contaminada.

Contexto Educacional

A Acanthamoeba é um protozoário de vida livre encontrado amplamente no ambiente. Na córnea, ela pode se apresentar nas formas de trofozoíto (ativa) e cisto (dormente e altamente resistente). A patogênese envolve a adesão ao epitélio corneano, facilitada por microtraumas causados pelas lentes de contato. Clinicamente, além da dor extrema e fotofobia, pode-se observar infiltrado em anel em estágios mais avançados. O tratamento é prolongado e desafiador, utilizando agentes biguanidas (como o PHMB) e diamidinas (propamidina), exigindo muitas vezes meses de terapia para evitar a recorrência a partir dos cistos.

Perguntas Frequentes

Por que a dor na Acanthamoeba é tão intensa?

A dor é desproporcional aos achados clínicos iniciais devido ao neurotropismo do protozoário. A Acanthamoeba infiltra os nervos corneanos, causando uma neurite radial (infiltrados perineurais), o que gera uma dor aguda e lancinante, muitas vezes resistente a analgésicos comuns.

Quais os principais fatores de risco?

O principal fator de risco é o uso de lentes de contato, especialmente quando associado a hábitos de higiene precários, como o uso de água de torneira para limpeza, banho de mar ou piscina com as lentes, ou o não cumprimento do descarte programado.

Como é feito o diagnóstico laboratorial?

O diagnóstico definitivo é feito através da cultura de raspado de córnea em meio ágar-ágar não nutritivo semeado com Escherichia coli. A microscopia confocal in vivo também é uma ferramenta diagnóstica valiosa, permitindo a visualização de cistos e trofozoítos na córnea.

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