CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
São fármacos de uso tópico que fazem parte do tratamento da ceratite infecciosa causada pela Acanthamoeba:
Acanthamoeba → Tratamento = Biguanida (PHMB/Clorexidina) + Diamidina (Propamidina).
O tratamento da ceratite por Acanthamoeba exige agentes cisticidas e trofozoiticidas, sendo as biguanidas e diamidinas a terapia padrão-ouro.
A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção ocular grave, frequentemente associada ao uso inadequado de lentes de contato ou exposição a água contaminada. O quadro clínico clássico inclui dor desproporcional aos achados e infiltrado perineural (ceratoneurite radial). O manejo farmacológico é desafiador. As biguanidas (PHMB e clorexidina) alteram a permeabilidade da membrana citoplasmática do parasita. As diamidinas (propamidina e hexamidina) complementam o tratamento. Devido à toxicidade epitelial dessas drogas e à resiliência dos cistos, o acompanhamento deve ser rigoroso, muitas vezes necessitando de desbridamento epitelial para facilitar a penetração das drogas.
As principais biguanidas utilizadas são o PHMB (poliexametileno biguanida 0,02%) e a clorexidina (0,02%). Elas são altamente eficazes por possuírem ação tanto contra os trofozoítos quanto contra os cistos do parasita.
A propamidina (Brolene) pertence à classe das diamidinas. Ela atua inibindo a síntese de DNA do protozoário. É frequentemente usada em combinação com as biguanidas para potencializar o efeito cisticida e reduzir a resistência.
A Acanthamoeba pode se transformar em cistos altamente resistentes em condições adversas. Esses cistos podem sobreviver no estroma corneano por meses, exigindo terapia tópica intensiva e prolongada (muitas vezes por 6 a 12 meses) para garantir a erradicação.
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