Desordens Periféricas da Córnea: Diagnóstico Diferencial

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Com relação às desordens periféricas da córnea, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) As ceratites ulcerativas periféricas associadas à granulomatose com poliangeíte, de modo geral, apresentam evolução benigna, autolimitada e raramente necessitam de tratamento sistêmico.
  2. B) A úlcera de Mooren bilateral em pacientes abaixo dos 40 anos apresenta, de modo geral, pouca gravidade e evolução benigna.
  3. C) Infiltrados periféricos secundários à reação de hipersensibilidade ao estafilococo, geralmente, apresentam intervalo de córnea transparente entre a lesão e o limbo.
  4. D) O arco límbico e branco de Vogt corresponde a depósitos cáusticos com aspecto de “queijo suíço”, separados do limbo por intervalo de córnea sem alterações, geralmente em idosos e que se inicia na córnea periférica superior e inferior, com a tendência à progressão circunferencial.

Pérola Clínica

Infiltrado marginal estafilocócico → intervalo de córnea clara (lúcido) entre a lesão e o limbo.

Resumo-Chave

Infiltrados periféricos por hipersensibilidade ao S. aureus são reações imunológicas que poupam a zona límbica imediata, diferenciando-se de úlceras infecciosas.

Contexto Educacional

As desordens periféricas da córnea representam um desafio diagnóstico devido à sobreposição de etiologias inflamatórias, infecciosas e sistêmicas. A Granulomatose com Poliangeíte (GPA), por exemplo, pode causar Ceratite Ulcerativa Periférica (PUK) grave, que é uma emergência oftalmológica indicativa de atividade de doença sistêmica letal, exigindo corticoterapia e ciclofosfamida. Já a hipersensibilidade estafilocócica é manejada com higiene palpebral e corticoides tópicos leves, demonstrando a importância da semiologia precisa da periferia corneana.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a ceratite marginal estafilocócica de outras úlceras?

A principal característica da ceratite marginal estafilocócica é a presença de um intervalo de córnea transparente (zona lúcida) entre o infiltrado e o limbo. Ela resulta de uma reação de hipersensibilidade tipo IV aos antígenos do Staphylococcus aureus, frequentemente associada à blefarite crônica. Diferente das úlceras infecciosas, o epitélio pode estar íntegro ou apresentar apenas um defeito puntiforme sobre o infiltrado.

Qual a gravidade da Úlcera de Mooren em pacientes jovens?

A Úlcera de Mooren em pacientes jovens (especialmente abaixo dos 40 anos) tende a ser bilateral, progressiva, de difícil controle e muito agressiva. Diferente da forma senil unilateral, a forma juvenil frequentemente requer imunossupressão sistêmica agressiva e apresenta alto risco de perfuração ocular, não sendo, portanto, de evolução benigna.

O que é o arco límbico e branco de Vogt?

O arco límbico de Vogt é uma degeneração corneana comum em idosos, caracterizada por uma linha branca estreita na periferia nasal e temporal da córnea (meridianos de 3 e 9 horas). Diferente do arco senil, ele não possui um intervalo de córnea clara em relação ao limbo e não tem significado patológico, sendo apenas um achado de senescência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo