CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente usuário de lentes de contato gelatinosas, apresenta ceratite infecciosa com infiltrado medindo 6.0 mm x 5.0 mm, localizado no eixo visual, havendo afinamento de 90% da espessura da córnea no local da úlcera e hipópio de 1 mm. Qual dos colírios abaixo deve ser evitado nesse momento?
Úlcera de córnea grave + afinamento → evitar AINEs tópicos pelo risco de melting e perfuração.
O uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) tópicos em córneas com afinamento estromal grave é contraindicado, pois inibem a síntese de prostaglandinas e podem acelerar a degradação da matriz, levando à perfuração.
A ceratite infecciosa em usuários de lentes de contato é frequentemente causada por Pseudomonas aeruginosa, um patógeno altamente virulento que produz enzimas proteolíticas capazes de destruir o estroma corneano rapidamente. O quadro clínico descrito, com infiltrado de 6mm e afinamento de 90%, caracteriza uma urgência oftalmológica com alto risco de perda do globo ocular. O tratamento padrão exige a coleta de material para cultura e início imediato de antibióticos de largo espectro. A dor deve ser manejada com cicloplégicos e analgésicos sistêmicos. A introdução de qualquer agente que possa fragilizar ainda mais a matriz extracelular da córnea, como os AINEs tópicos, é um erro crítico que pode precipitar a perfuração ocular.
O Cetorolaco, como outros AINEs tópicos, pode interferir na cicatrização epitelial e estromal. Em quadros de ceratite infecciosa grave com afinamento significativo (neste caso, 90%), os AINEs aumentam o risco de 'corneal melting' (derretimento corneano) e perfuração ocular subsequente, pois podem potencializar a ação de colagenases e inibir mecanismos de reparo tecidual. O foco deve ser o controle da infecção com antibióticos fortificados e o suporte à integridade estrutural.
O Ciclopentolato é um colírio cicloplégico utilizado para promover o conforto do paciente, reduzindo a dor causada pelo espasmo do corpo ciliar (iridociclite reflexa). Além disso, ajuda a prevenir a formação de sinéquias posteriores ao manter a pupila dilatada. Diferente dos AINEs, ele não possui efeito direto na degradação do colágeno estromal, sendo seguro e indicado em casos de úlceras com hipópio.
O manejo envolve antibioticoterapia intensiva (geralmente colírios fortificados como Vancomicina e Amicacina), uso de inibidores de colagenases (como doxiciclina oral ou citrato/ascorbato tópico) e, em casos de afinamento extremo, o uso de adesivos teciduais (cianoacrilato) ou recobrimento conjuntival/transplante de córnea de urgência. Deve-se evitar rigorosamente corticoides e AINEs tópicos na fase aguda de afinamento progressivo.
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