CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Qual das situações abaixo pode ser considerada a de maior risco para o desenvolvimento de ceratite infecciosa relacionada ao uso de lentes de contato?
Dormir com lentes de contato → Principal fator de risco para ceratite infecciosa grave.
O uso noturno de lentes de contato induz hipóxia corneana e estase lacrimal, facilitando a adesão e invasão bacteriana (especialmente por Pseudomonas).
A ceratite infecciosa é uma emergência oftalmológica que pode levar à cegueira permanente por cicatrizes corneanas (leucoma) ou endoftalmite. Entre os usuários de lentes de contato, o risco relativo de desenvolver ceratite ulcerativa é aproximadamente 10 a 15 vezes maior para aqueles que praticam o uso noturno ocasional em comparação com o uso apenas diurno. O entendimento da fisiopatologia da superfície ocular e dos mecanismos de defesa da córnea é essencial para o manejo desses pacientes.
Dormir com lentes de contato (uso estendido) reduz drasticamente a oxigenação da córnea (hipóxia), que já é limitada durante o sono pelo fechamento das pálpebras. A hipóxia compromete a integridade do epitélio corneano e reduz a renovação celular. Além disso, a lente atua como um reservatório para microrganismos e a estase do filme lacrimal sob a lente impede a remoção mecânica de detritos e patógenos, criando um ambiente ideal para a proliferação bacteriana e invasão tecidual.
A Pseudomonas aeruginosa é o agente bacteriano mais comum e devastador associado ao uso de lentes de contato. Ela possui a capacidade de aderir à superfície da lente e produzir enzimas proteolíticas que podem causar perfuração corneana em menos de 48 horas. Outros agentes importantes incluem o Staphylococcus aureus e, em casos de exposição a água contaminada, a Acanthamoeba, que causa uma ceratite extremamente dolorosa e de difícil tratamento.
A prevenção baseia-se na higiene rigorosa e na adesão ao regime de uso. As principais recomendações incluem: nunca dormir com as lentes (a menos que especificamente indicado e monitorado), lavar as mãos antes de manusear, usar apenas soluções multiuso apropriadas (nunca água da torneira ou soro caseiro), trocar o estojo regularmente e respeitar o prazo de descarte das lentes. Qualquer sinal de olho vermelho, dor ou baixa visual deve levar à interrupção imediata do uso e avaliação oftalmológica.
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