Ceratite Herpética e Sensibilidade Corneana Pós-Transplante

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

As figuras abaixo referem-se a paciente, submetido a transplante penetrante de córnea, em função de opacidade cicatricial secundária a ceratite herpética. As figuras A, B e C demonstram a complicação apresentada pelo paciente após 8 meses da operação. A figura D representa um dos tratamentos realizados para solucionar a complicação. Com relação ao caso qual a alternativa mais provável?

Alternativas

  1. A) A complicação apresentada é a endotelite disciforme, que deve ser tratada, além do procedimento demonstrado na figura D, com colírio derivado de esteroide tópico associado ao aciclovir sistêmico (800mg/dia a 1.200mg/dia).
  2. B) Colírio derivado do soro autólogo está contraindicado para tratar a complicação, em função da natureza infecciosa da lesão.
  3. C) Provavelmente a sensibilidade tátil da córnea do paciente está diminuída.
  4. D) Trata-se de falência primária do enxerto.

Pérola Clínica

Ceratite herpética = Dano aos nervos corneanos → Hipoestesia e risco de úlcera neurotrófica.

Resumo-Chave

A infecção crônica pelo HSV lesa o plexo nervoso subepitelial da córnea, resultando em diminuição da sensibilidade (hipoestesia), o que prejudica a cicatrização e favorece defeitos epiteliais.

Contexto Educacional

A ceratite herpética é uma das principais causas de cegueira corneana no mundo. O transplante penetrante nesses casos é desafiador devido ao alto risco de recorrência viral no enxerto e à falência epitelial por denervação. A sensibilidade corneana é um marcador prognóstico crucial: córneas anestésicas têm dificuldade em manter a integridade da barreira epitelial. Clinicamente, a diminuição da sensibilidade é testada com um estesiômetro de Cochet-Bonnet ou simplesmente com um fio de algodão. A identificação da hipoestesia direciona o manejo para terapias regenerativas e protetoras, evitando que um defeito epitelial evolua para um 'melting' estromal ou perfuração, complicações que muitas vezes são confundidas com rejeição imunológica, mas que possuem fisiopatologia puramente trófica.

Perguntas Frequentes

Por que a sensibilidade corneana diminui no herpes ocular?

O vírus herpes simples (HSV) fica latente no gânglio trigeminal e, durante as reativações, viaja pelos nervos sensoriais até a córnea. Esse processo inflamatório recorrente causa a destruição das terminações nervosas do plexo subepitelial corneano. A perda da inervação sensorial resulta em hipoestesia ou anestesia corneana, caracterizando a ceratopatia neurotrófica, onde a córnea perde seus reflexos de proteção e os fatores tróficos necessários para a manutenção do epitélio.

Como a hipoestesia afeta o transplante de córnea?

Em pacientes transplantados por sequela de herpes, o novo enxerto é colocado em um leito receptor que já possui deficiência nervosa. Além disso, a própria cirurgia de transplante penetrante secciona os nervos periféricos. Se a sensibilidade não retorna, o enxerto fica vulnerável a defeitos epiteliais persistentes, úlceras estéreis e infecções secundárias, pois a ausência de estímulo nervoso reduz a produção de lágrima e a taxa de mitose das células epiteliais.

Qual o tratamento para a ceratopatia neurotrófica pós-transplante?

O tratamento foca na proteção da superfície ocular e promoção da reepitelização. Inclui o uso intensivo de lubrificantes sem conservantes, colírio de soro autólogo (rico em fatores de crescimento), lentes de contato terapêuticas e, em casos graves, a tarsorrafia (fechamento parcial das pálpebras para reduzir a exposição). Se houver reativação viral suspeita, o uso de antivirais sistêmicos (aciclovir) é obrigatório para proteger o enxerto.

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