Ceratite por Aspergillus: Diagnóstico e Características Clínicas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Após trauma com corpo estranho vegetal, paciente sem antecedentes de doença ocular passa a apresentar ceratite infecciosa de evolução lenta, com aumento progressivo na intensidade dos sintomas. O exame biomicroscópico da córnea evidencia um infiltrado central maior com bordas "hifadas", além de infiltrados satélites menores. Qual dos agentes abaixo é o mais provavelmente associado?

Alternativas

  1. A) Criptococcus.
  2. B) Candida.
  3. C) Aspergillus.
  4. D) Actinomyces.

Pérola Clínica

Trauma vegetal + bordas hifadas + lesões satélites = Ceratite por Aspergillus.

Resumo-Chave

Fungos filamentosos como Aspergillus e Fusarium são os principais agentes em ceratites após trauma com material orgânico, apresentando evolução lenta e sinais biomicroscópicos típicos.

Contexto Educacional

A ceratite fúngica representa um desafio diagnóstico e terapêutico. Diferente das ceratites bacterianas, a evolução costuma ser mais indolente, mas a penetração tecidual dos fungos pode ser profunda, atravessando a membrana de Descemet. O diagnóstico definitivo é feito por raspado corneano com coloração de Giemsa ou Gram e cultura em ágar Sabouraud.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais biomicroscópicos da ceratite por fungos filamentosos?

Os sinais clássicos incluem infiltrado estromal com aspecto 'seco', bordas irregulares ou 'hifadas' (em forma de penas), e a presença de infiltrados satélites (pequenos focos de infecção adjacentes ao infiltrado principal). Frequentemente observa-se também uma reação de câmara anterior com hipópio, que pode ser persistente mesmo com tratamento.

Por que o trauma vegetal predispõe à ceratite por Aspergillus?

Fungos filamentosos como Aspergillus e Fusarium são saprófitas comuns na natureza e em materiais vegetais. O trauma mecânico rompe a barreira epitelial da córnea e introduz os conídios fúngicos diretamente no estroma, onde encontram um ambiente propício para o crescimento, especialmente em climas tropicais e úmidos.

Qual o tratamento de escolha para ceratite fúngica filamentosa?

O tratamento padrão ouro inicial é a Natamicina tópica a 5%, que é o único antifúngico aprovado especificamente para uso ocular com boa eficácia contra fungos filamentosos. Em casos graves ou profundos, pode-se associar Voriconazol (tópico ou sistêmico) ou Anfotericina B, além de desbridamento epitelial frequente para aumentar a penetração das drogas.

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