Ceratite Fúngica por Fusarium: Diagnóstico e Tratamento

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

Com relação às ceratites fúngicas, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Fungos filamentosos não têm a capacidade de penetrar a membrana de Descemet íntegra, diferentemente dos fungos leveduriformes.
  2. B) Clinicamente, as infecções causadas por fungos filamentosos apresentam aspecto úmido, com supuração densa e focal, sem margens bifadas ou lesões satélites.
  3. C) As causadas pelo Fusarium sp. geralmente ocorrem em locais de clima quente e se associam ao trauma por materiais vegetais em olhos previamente sadios.
  4. D) Infecções causadas pela Candida sp. devem ser tratadas com cetoconazol oral e colírio de natamicina.

Pérola Clínica

Trauma com material vegetal + Lesões satélites/bordas plumosas = Ceratite por fungos filamentosos (Fusarium).

Resumo-Chave

O Fusarium sp. é o agente mais comum em ceratites fúngicas pós-trauma vegetal em climas quentes. Fungos filamentosos podem penetrar a membrana de Descemet íntegra.

Contexto Educacional

As ceratites fúngicas representam um desafio terapêutico na oftalmologia devido à lenta penetração dos fármacos e à virulência dos patógenos. Elas são classificadas em filamentosas (Fusarium, Aspergillus) e leveduriformes (Candida). O Fusarium sp. destaca-se pela capacidade de invadir tecidos profundos e até perfurar a membrana de Descemet, levando a complicações intraoculares graves. O diagnóstico definitivo requer raspado corneano para microscopia direta (com colorações como Giemsa ou Gram) e cultura em meios específicos como Ágar Sabouraud. O manejo deve ser agressivo e prolongado, muitas vezes durando semanas ou meses, e o uso de corticosteroides é contraindicado na fase ativa da infecção fúngica, pois pode acelerar a replicação do fungo e a destruição tecidual.

Perguntas Frequentes

Quais as características clínicas da ceratite por Fusarium?

A ceratite por Fusarium, um fungo filamentoso, geralmente apresenta-se como um infiltrado estromal com bordas irregulares (plumosas ou bifadas), lesões satélites e, frequentemente, um hipópio. A superfície da lesão costuma ter um aspecto seco e esbranquiçado, diferenciando-se das ceratites bacterianas que tendem a ser mais úmidas e supurativas.

Por que o trauma vegetal é um fator de risco importante?

Materiais vegetais, como galhos ou folhas, são reservatórios naturais de fungos filamentosos como Fusarium e Aspergillus. O trauma mecânico rompe a barreira epitelial da córnea, permitindo a inoculação direta desses microrganismos no estroma corneano, onde encontram condições favoráveis para proliferação, especialmente em climas quentes e úmidos.

Qual o tratamento de escolha para ceratite fúngica filamentosa?

O tratamento de primeira linha para ceratites por fungos filamentosos (como Fusarium) é a Natamicina tópica a 5%. Em casos graves ou profundos, pode-se associar antifúngicos sistêmicos como o Voriconazol. A ceratite por Candida (leveduriforme) responde melhor à Anfotericina B tópica.

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