CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Com relação às ceratites fúngicas, é correto afirmar:
Trauma com material vegetal + Lesões satélites/bordas plumosas = Ceratite por fungos filamentosos (Fusarium).
O Fusarium sp. é o agente mais comum em ceratites fúngicas pós-trauma vegetal em climas quentes. Fungos filamentosos podem penetrar a membrana de Descemet íntegra.
As ceratites fúngicas representam um desafio terapêutico na oftalmologia devido à lenta penetração dos fármacos e à virulência dos patógenos. Elas são classificadas em filamentosas (Fusarium, Aspergillus) e leveduriformes (Candida). O Fusarium sp. destaca-se pela capacidade de invadir tecidos profundos e até perfurar a membrana de Descemet, levando a complicações intraoculares graves. O diagnóstico definitivo requer raspado corneano para microscopia direta (com colorações como Giemsa ou Gram) e cultura em meios específicos como Ágar Sabouraud. O manejo deve ser agressivo e prolongado, muitas vezes durando semanas ou meses, e o uso de corticosteroides é contraindicado na fase ativa da infecção fúngica, pois pode acelerar a replicação do fungo e a destruição tecidual.
A ceratite por Fusarium, um fungo filamentoso, geralmente apresenta-se como um infiltrado estromal com bordas irregulares (plumosas ou bifadas), lesões satélites e, frequentemente, um hipópio. A superfície da lesão costuma ter um aspecto seco e esbranquiçado, diferenciando-se das ceratites bacterianas que tendem a ser mais úmidas e supurativas.
Materiais vegetais, como galhos ou folhas, são reservatórios naturais de fungos filamentosos como Fusarium e Aspergillus. O trauma mecânico rompe a barreira epitelial da córnea, permitindo a inoculação direta desses microrganismos no estroma corneano, onde encontram condições favoráveis para proliferação, especialmente em climas quentes e úmidos.
O tratamento de primeira linha para ceratites por fungos filamentosos (como Fusarium) é a Natamicina tópica a 5%. Em casos graves ou profundos, pode-se associar antifúngicos sistêmicos como o Voriconazol. A ceratite por Candida (leveduriforme) responde melhor à Anfotericina B tópica.
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