CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Paciente usuário de lentes de contato, com hiperemia, embaçamento visual e dor ocular progressiva há 3 semanas, apresenta úlcera de córnea com infiltrado profundo, de aspecto seco, branco-acinzentado, margens com limites pouco precisos, lesões satélites sobrelevadas, placa endotelial e hipópio. O agente etiológico mais provável, entre os abaixo, é:
Úlcera de córnea + Lesões satélites + Aspecto seco/impreciso = Ceratite por Fusarium.
Fungos filamentosos como o Fusarium penetram profundamente no estroma corneano, apresentando infiltrados com margens 'franjadas' e lesões satélites características.
As ceratites fúngicas são infecções graves que podem levar à perfuração ocular e perda da visão se não tratadas precocemente. O gênero Fusarium é um dos patógenos mais frequentes, especialmente em climas tropicais e associado a trauma vegetal ou uso de lentes de contato. Diferente das ceratites bacterianas, que tendem a ser mais exsudativas e purulentas, as fúngicas têm um aspecto mais indolente e infiltrativo. O tratamento é desafiador devido à lenta penetração dos antifúngicos no estroma. A Natamicina 5% colírio é a droga de escolha inicial para fungos filamentosos. Em casos graves ou refratários, antifúngicos sistêmicos (como Voriconazol) e intervenções cirúrgicas, como o transplante de córnea terapêutico, podem ser necessários.
A ceratite por Fusarium, um fungo filamentoso, manifesta-se como um infiltrado estromal branco-acinzentado, de aspecto seco e 'fepudo', com margens pouco precisas ou irregulares. É comum a presença de lesões satélites (pequenos focos de infiltração adjacentes à lesão principal), placa endotelial e hipópio (pus na câmara anterior).
O uso de lentes de contato pode causar microtraumas no epitélio corneano, servindo como porta de entrada. Além disso, a contaminação de estojos e soluções multiuso (como ocorreu historicamente com certas marcas) pode favorecer a proliferação de fungos como Fusarium e Acanthamoeba, que aderem à superfície da lente.
O diagnóstico exige raspado corneano para coloração (Gram, Giemsa e, idealmente, Branco de Calcofluor) e cultura em meios específicos como Ágar Sabouraud. A biópsia de córnea pode ser necessária se os raspados superficiais forem negativos, dada a natureza infiltrativa profunda dos fungos filamentosos.
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