CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
Durante o período de tratamento das ceratites fúngicas profundas recomenda-se realizar a desepitelização da córnea antes da instilação dos colírios antifúngicos, pois:
Desepitelização na ceratite fúngica → ↑ Penetração de antifúngicos estromais.
O epitélio corneano íntegro atua como uma barreira hidrofóbica significativa para muitos antifúngicos (como a Natamicina), exigindo sua remoção para tratar infecções profundas.
As ceratites fúngicas são infecções oculares graves, frequentemente associadas a traumas vegetais ou uso de lentes de contato. Fungos filamentosos, como Fusarium e Aspergillus, tendem a penetrar profundamente no estroma corneano e podem até atravessar a membrana de Descemet intacta. A farmacocinética ocular é o maior desafio no tratamento. A maioria dos antifúngicos tópicos disponíveis comercialmente ou manipulados possui características que dificultam a passagem pelo epitélio. A técnica de desepitelização (debridamento) não apenas remove carga fúngica superficial e tecido necrótico, mas é fundamental para otimizar a biodisponibilidade estromal da medicação, sendo um passo crítico no manejo de casos graves.
O epitélio corneano é composto por células ricas em lipídios e junções apertadas (tight junctions), funcionando como uma barreira hidrofóbica. Medicamentos hidrofílicos ou com alto peso molecular têm grande dificuldade em atravessar essa camada. Nas ceratites fúngicas, onde o agente está frequentemente no estroma (camada hidrofílica), a integridade do epitélio impede que concentrações terapêuticas do antifúngico alcancem o alvo.
A Natamicina, que é o padrão-ouro para fungos filamentosos, possui baixa penetração estromal devido ao seu tamanho molecular e propriedades químicas. A Anfotericina B também apresenta penetração limitada. Por isso, o debridamento epitelial mecânico é uma manobra clínica essencial para permitir que essas suspensões ou soluções alcancem o estroma corneano infectado em níveis fungicidas.
Sim, embora necessária para a penetração da droga, a desepitelização remove uma barreira protetora contra infecções secundárias (bacterianas) e pode retardar a cicatrização da superfície ocular. Além disso, causa dor significativa ao paciente. Portanto, deve ser realizada de forma criteriosa, geralmente no início do tratamento ou quando a resposta clínica é insatisfatória apesar da terapia tópica intensiva.
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