Tratamento de Úlcera de Córnea: Colírios Fortificados

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

Paciente comparece ao pronto-socorro queixando-se de embaçamento visual e dor de forte intensidade no olho direito há 48 h. É usuário de lentes de contato gelatinosas e refere não ter retirado as lentes para dormir na noite anterior. O exame biomicroscópico evidenciou úlcera de córnea na região central, com infiltrado branco-amarelado, com 4,3 mm de diâmetro e 60% de estroma presente no local da lesão. Com relação ao caso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Colírios fortificados derivados das cefalosporinas de primeira geração apresentam excelente espectro contra Gram-negativos, por isso, devem ser utilizados em associação com derivados dos aminoglicosídeos, que apresentam excelente espectro contra Gram-positivos
  2. B) As concentrações dos colírios fortes normalmente utilizados para o tratamento empírico inicial são 15 mg/ml para os aminoglicosídeos e 50 mg/ml para as cefalosporinas
  3. C) O tratamento empírico inicial deve incluir fármacos de ação antifúngica, pelo menos até o resultado dos exames laboratoriais estarem disponíveis
  4. D) Não há necessidade de coletar material da lesão para exames citológico e bacterioscópico, pois trata-se de úlcera pequena, sem risco de perda da acuidade visual

Pérola Clínica

Colírios fortificados → Cefalosporina (50 mg/ml) + Aminoglicosídeo (15 mg/ml) para ceratites graves.

Resumo-Chave

Úlceras de córnea centrais e extensas exigem tratamento agressivo com colírios fortificados para garantir penetração estromal e cobertura de Gram-positivos e Gram-negativos.

Contexto Educacional

O manejo das ceratites bacterianas graves, especialmente em usuários de lentes de contato (onde a Pseudomonas aeruginosa é prevalente), baseia-se na entrega de altas doses de antibióticos diretamente no estroma corneano. Os colírios fortificados são preparados magistralmente para exceder a concentração inibitória mínima (CIM) dos patógenos comuns. A associação clássica envolve uma cefalosporina de 1ª geração (Cefazolina 50mg/ml) para cocos Gram-positivos e um aminoglicosídeo (Amicacina ou Tobramicina 15mg/ml) para bacilos Gram-negativos. O esquema posológico inicial costuma ser de hora em hora, inclusive durante a noite, para evitar a progressão da liquefação estromal.

Perguntas Frequentes

Quais as concentrações padrão dos colírios fortificados?

As concentrações terapêuticas padrão são de 50 mg/ml para cefalosporinas (como Cefazolina), visando cobertura de Gram-positivos, e 15 mg/ml para aminoglicosídeos (como Gentamicina ou Tobramicina), visando Gram-negativos.

Quando indicar colírios fortificados em vez de monoterapia com quinolonas?

Estão indicados em úlceras centrais, maiores que 2 mm, com envolvimento estromal profundo (>50%), presença de hipópio ou quando há suspeita de microrganismos resistentes às quinolonas de 4ª geração.

Por que coletar cultura em úlceras de córnea?

A coleta de material para bacterioscopia (Gram) e cultura com antibiograma é fundamental em lesões graves para direcionar a antibioticoterapia específica, especialmente se não houver resposta ao tratamento empírico inicial em 48-72 horas.

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