PRK vs LASIK: Indicações e Critérios de Escolha

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Em quais situações descritas abaixo a indicação de cirurgia refrativa pela técnica PRK (ceratectomia fotorrefrativa) será mais conveniente do que pela técnica LASIK (laser in situ keratomileusis)? I. Córneas relativamente finas em relação à ametropia a ser corrigida, em que no cálculo de consumo corneano para realização de LASIK, não é possível um leito estromal residual maior que 250 um. II. Pacientes com olho seco leve. III. Pacientes com risco aumentado de trauma ocular, por motivos operacionais ou recreativos. IV. Necessidade de realizar cirurgias personalizadas.

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) I e III,apenas.
  3. C) II, III e IV, apenas.
  4. D) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

PRK > LASIK se: córnea fina (<250µm residual), olho seco leve ou risco de trauma (sem flap).

Resumo-Chave

O PRK é preferível em córneas finas e pacientes com risco de trauma, pois evita a criação do flap e preserva maior espessura estromal residual.

Contexto Educacional

A cirurgia refrativa a laser evoluiu para oferecer perfis de segurança elevados. A decisão entre PRK e LASIK baseia-se fundamentalmente na biomecânica corneana e no estilo de vida do paciente. Enquanto o LASIK oferece uma recuperação visual quase imediata e menos desconforto pós-operatório, o PRK destaca-se pela preservação tecidual. O limite de 250 micras de leito estromal residual é um dogma de segurança para evitar a ectasia pós-refrativa. Além da espessura, a análise da superfície ocular é determinante. O PRK personalizado (guiado por frentes de onda ou topografia) é indicado para tratar aberrações ópticas específicas, melhorando a qualidade de visão noturna e sensibilidade ao contraste. O entendimento dessas nuances é essencial para o residente de oftalmologia na indicação cirúrgica precisa.

Perguntas Frequentes

Por que o PRK é mais seguro em córneas finas?

O PRK (Ceratectomia Fotorrefrativa) é uma técnica de ablação de superfície que não requer a criação de um flap corneano, ao contrário do LASIK. No LASIK, a criação do flap consome parte da espessura corneana que não contribui para a estabilidade biomecânica. Ao eliminar o flap, o PRK permite que uma maior quantidade de tecido estromal residual permaneça intacta, o que é crucial para prevenir a ectasia iatrogênica em pacientes com córneas relativamente finas em relação ao grau de ametropia a ser corrigido.

Qual a vantagem do PRK em pacientes com risco de trauma?

Pacientes que praticam esportes de contato, militares ou profissionais com alto risco de trauma ocular direto são candidatos ideais para o PRK. Isso ocorre porque o LASIK cria uma interface permanente (o flap) que, embora cicatrize, nunca recupera a força tensional original da córnea íntegra. Um trauma severo anos após o LASIK pode causar o deslocamento do flap. Como o PRK não possui flap, essa complicação é inexistente, tornando a estrutura ocular mais resiliente a impactos externos.

Como o olho seco influencia a escolha entre PRK e LASIK?

O LASIK está associado a uma maior incidência e gravidade de olho seco pós-operatório temporário em comparação ao PRK. Isso se deve ao fato de que a criação do flap e a ablação estromal profunda no LASIK seccionam os nervos corneanos subbasais de forma mais extensa, interrompendo o arco reflexo da secreção lacrimal. Em pacientes que já apresentam olho seco leve, o PRK é frequentemente preferido por causar menos denervação corneana e permitir uma recuperação mais rápida da sensibilidade e da homeostase do filme lacrimal.

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