CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Qual o fármaco mais utilizado durante o peroperatório para reduzir o risco da formação de opacidade de córnea após a cirurgia de ceratectomia fotorrefrativa (PRK)?
Mitomicina C peroperatória → ↓ risco de haze (opacidade) após ceratectomia fotorrefrativa (PRK).
A Mitomicina C é um antimetabólito que inibe a proliferação de ceratócitos e a síntese de colágeno, prevenindo a formação de fibrose subepitelial (haze) em ablações profundas.
A cirurgia refrativa de superfície (PRK) difere do LASIK por não criar um flap, realizando a ablação diretamente no estroma anterior após a remoção do epitélio. Essa agressão tecidual direta predispõe à ativação de ceratócitos em miofibroblastos, que produzem uma matriz extracelular opaca. A Mitomicina C (MMC) revolucionou o PRK ao permitir o tratamento de graus mais elevados com segurança. Clinicamente, o haze costuma aparecer entre 1 a 3 meses após o procedimento e pode causar perda de sensibilidade ao contraste e regressão do efeito refrativo. O entendimento do mecanismo de ação da MMC como um agente alquilante que impede a replicação do DNA é fundamental para o residente de oftalmologia, diferenciando-a de outros fármacos como o 5-Fluorouracil ou corticoides, que possuem eficácia inferior ou mecanismos distintos no controle da fibrose corneana.
A Mitomicina C atua como um agente antimetabólico e antiproliferativo. Durante a ceratectomia fotorrefrativa (PRK), a ablação do estroma corneano pode desencadear uma resposta cicatricial exacerbada dos ceratócitos, resultando em opacidade subepitelial conhecida como haze. A aplicação tópica de Mitomicina C em baixas concentrações (geralmente 0,02%) por um curto período durante a cirurgia inibe essa proliferação celular e a subsequente deposição de colágeno desorganizado, mantendo a transparência da córnea e garantindo melhores resultados visuais a longo prazo.
O desenvolvimento de haze pós-PRK está fortemente relacionado à profundidade da ablação (correções de altas miopias), ao diâmetro da zona de tratamento e à exposição excessiva à radiação ultravioleta no pós-operatório. Pacientes com ablações superiores a 75-100 micras apresentam risco significativamente maior. Por essa razão, o uso profilático da Mitomicina C tornou-se o padrão-ouro em casos de ablações profundas ou em pacientes com histórico de cicatrização anômala, visando mitigar a resposta inflamatória e fibrótica do estroma anterior.
Embora seja altamente eficaz na prevenção do haze, a Mitomicina C deve ser usada com cautela devido ao seu potencial citotóxico. O uso inadequado ou em concentrações elevadas pode levar a atrasos na reepitelização corneana, toxicidade endotelial, afinamento estromal e, em casos raros, esclereomalácia. No entanto, quando aplicada na concentração de 0,02% por períodos de 15 a 60 segundos, seguida de irrigação vigorosa com solução salina balanceada, o perfil de segurança é excelente, sendo amplamente aceito na prática oftalmológica moderna.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo