Centralização Fetal: Diagnóstico por Doppler da ACM

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico prévio à gestação, em acompanhamento pré-natal, atualmente com 30 semanas. Ao realizar exame ultrassonográfico nota-se que o peso estimado fetal está no percentil 4. Na avaliação dopplerfluxométrica foi realizado o diagnóstico de insuficiência placentária. Qual avaliação de doppler é necessária para o diagnóstico de centralização nesta paciente?

Alternativas

  1. A) Artéria uterina.
  2. B) Artéria umbilical.
  3. C) Artéria cerebral média.
  4. D) Ducto Venoso.
  5. E) Canal Arterioso.

Pérola Clínica

Insuficiência placentária + RCIU → centralização fetal avaliada por Doppler da Artéria Cerebral Média (ACM).

Resumo-Chave

A centralização fetal é um mecanismo de adaptação à hipóxia crônica na insuficiência placentária, onde o feto redistribui o fluxo sanguíneo para órgãos vitais. O diagnóstico é feito pela avaliação dopplerfluxométrica da Artéria Cerebral Média (ACM), que mostra redução do índice de pulsatilidade (IP) devido ao aumento do fluxo diastólico, indicando vasodilatação cerebral.

Contexto Educacional

A gestação em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é considerada de alto risco, com maior incidência de complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) devido à insuficiência placentária. A avaliação ultrassonográfica e dopplerfluxométrica é fundamental no acompanhamento dessas gestações para monitorar o bem-estar fetal e identificar precocemente sinais de comprometimento. A Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU), evidenciada por um peso estimado fetal no percentil 4, é um forte indicativo de insuficiência placentária. Nesses casos, o feto desenvolve mecanismos compensatórios para sobreviver à hipóxia crônica, um dos quais é a centralização fetal. A centralização é a redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos nobres (cérebro, coração e adrenais) em detrimento de outros órgãos menos vitais. O diagnóstico de centralização fetal é realizado pela dopplerfluxometria da Artéria Cerebral Média (ACM). Em um feto centralizado, a ACM apresenta vasodilatação, resultando em uma diminuição do seu Índice de Pulsatilidade (IP) ou Índice de Resistência (IR), com aumento do fluxo diastólico. A relação entre o IP da ACM e o IP da Artéria Umbilical (IP-ACM/IP-AU) é um parâmetro ainda mais sensível para detectar a centralização. A identificação da centralização é um sinal de alerta para sofrimento fetal e exige monitoramento mais rigoroso e, por vezes, antecipação do parto para evitar desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

O que significa centralização fetal e por que ela ocorre?

A centralização fetal é um mecanismo de defesa do feto em resposta à hipóxia crônica, geralmente causada por insuficiência placentária. Ocorre uma redistribuição do fluxo sanguíneo, priorizando órgãos vitais como o cérebro, coração e adrenais, em detrimento de outros órgãos como rins e pulmões.

Como o Doppler da Artéria Cerebral Média (ACM) diagnostica a centralização fetal?

O Doppler da ACM diagnostica a centralização pela detecção de vasodilatação cerebral. Isso se manifesta como uma redução do Índice de Pulsatilidade (IP) ou Índice de Resistência (IR) na ACM, devido ao aumento do fluxo diastólico, indicando que o cérebro está recebendo mais sangue.

Qual a importância da relação ACM/Artéria Umbilical na avaliação da centralização?

A relação entre o Índice de Pulsatilidade da Artéria Cerebral Média (IP-ACM) e o Índice de Pulsatilidade da Artéria Umbilical (IP-AU) é crucial. Uma inversão dessa relação (IP-ACM < IP-AU) é um indicador mais sensível e precoce de centralização e sofrimento fetal, refletindo a adaptação circulatória fetal.

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