CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Com relação à celulite orbitária (pós-septal), é correto afirmar que:
Celulite orbitária = Internação + ATB endovenoso + TC de órbitas imediata.
A celulite orbitária é uma emergência médica que exige hospitalização e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro para prevenir perda visual e complicações intracranianas.
A celulite orbitária é frequentemente uma extensão de uma sinusite paranasal, particularmente da sinusite etmoidal, devido à proximidade anatômica e à fragilidade da lâmina papirácea. É uma condição potencialmente fatal devido ao risco de meningite, abscesso cerebral e trombose do seio cavernoso. O diagnóstico é clínico, mas a Tomografia Computadorizada (TC) de órbitas e seios da face com contraste é o padrão-ouro para confirmar a extensão da infecção e detectar abscessos. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e início rápido de terapia parenteral. A monitorização da função do nervo óptico (acuidade visual, reflexos pupilares e visão de cores) deve ser realizada a cada poucas horas nas fases iniciais. O atraso no tratamento pode resultar em neuropatia óptica isquêmica ou oclusão da artéria central da retina por aumento da pressão intraorbitária.
A celulite pré-septal envolve apenas os tecidos moles anteriores ao septo orbitário, manifestando-se com edema e eritema palpebral, mas sem afetar o globo ocular. Já a celulite orbitária (pós-septal) apresenta sinais de envolvimento profundo: proptose, dor à movimentação ocular, restrição da motilidade (oftalmoplegia) e possível redução da acuidade visual ou defeito pupilar aferente relativo.
Os agentes mais comuns são Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae (menos comum pós-vacinação). O tratamento deve ser iniciado com antibióticos endovenosos de amplo espectro que cubram gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios (especialmente se houver origem sinusal), como a combinação de Ceftriaxona com Oxacilina ou Clindamicina, ou Vancomicina em áreas de alta prevalência de MRSA.
A cirurgia está indicada na presença de abscesso subperiosteal ou orbitário volumoso, ausência de melhora clínica após 24-48 horas de antibioticoterapia endovenosa adequada, ameaça à visão (compressão do nervo óptico) ou suspeita de complicações intracranianas. A drenagem do abscesso e a abordagem do seio paranasal infectado (geralmente o etmoide) são os pilares do tratamento cirúrgico.
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