CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
Paciente de 35 anos apresenta dor ocular aguda, proptose e diminuição da acuidade visual do olho esquerdo há três dias. Refere febre nas últimas 24 horas. Ao exame há edema palpebral, proptose dolorosa e limitação dos movimentos oculares. Apresenta a tomografia computadorizada abaixo. Com base na imagem e nos achados clínicos, qual o diagnóstico mais provável?
Proptose + Febre + Oftalmoplegia = Celulite Orbitária (emergência médica).
A celulite orbitária é uma infecção pós-septal grave, geralmente secundária a sinusite, que ameaça a visão e a vida.
A celulite orbitária é uma infecção dos tecidos moles posteriores ao septo orbitário. É considerada uma emergência médica devido ao risco de perda visual por compressão do nervo óptico e risco de morte por extensão intracraniana. O diagnóstico é clínico, mas a tomografia computadorizada (TC) de órbitas e seios da face com contraste é essencial para avaliar abscessos e a extensão da sinusite. O tratamento exige internação hospitalar, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (cobrindo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios) e avaliação conjunta da oftalmologia e otorrinolaringologia. A drenagem cirúrgica é indicada em casos de abscesso volumoso, ausência de resposta ao tratamento clínico em 24-48 horas ou queda da acuidade visual.
A diferenciação é clínica e crucial. A celulite orbitária (pós-septal) apresenta sinais de envolvimento das estruturas profundas da órbita: proptose (protrusão do globo), oftalmoplegia (limitação e dor à movimentação ocular) e possível redução da acuidade visual ou defeito pupilar aferente. A celulite pré-septal limita-se às pálpebras e tecidos moles anteriores ao septo orbitário, sem afetar a motilidade ocular ou a posição do globo.
A causa mais comum é a extensão direta de uma sinusite bacteriana aguda, especialmente da sinusite etmoidal, devido à proximidade com a órbita e à delgada lâmina papirácea que as separa. Outras causas incluem trauma penetrante, infecções dentárias, dacriocistite ou disseminação hematogênica. Os patógenos comuns incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e anaeróbios.
As complicações podem ser oculares ou intracranianas. Oculares incluem abscesso subperiosteal, abscesso orbitário, neuropatia óptica isquêmica e oclusão da artéria central da retina, podendo levar à cegueira permanente. Intracranianas incluem meningite, abscesso cerebral e a temida trombose do seio cavernoso, que se manifesta com proptose bilateral, paralisia de múltiplos pares cranianos (III, IV, VI) e rápida deterioração clínica.
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