PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
A ativação sustentada da resposta inflamatória pode levar a SIRS (Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica) e Falência de Múltiplos Órgãos. Em relação a esta situação no paciente cirúrgico, é CORRETO afirmar:
SIRS sustentada → ↑ MDSCs → Imunossupressão profunda e risco de infecções secundárias.
A ativação inflamatória crônica no paciente cirúrgico gera MDSCs que suprimem a resposta imune adaptativa, contribuindo para a paralisia imunológica pós-trauma e falência orgânica.
A resposta metabólica ao trauma e à cirurgia envolve uma complexa interação entre citocinas pró e anti-inflamatórias. A compreensão das MDSCs é crucial, pois elas representam um elo entre a inflamação aguda e a imunossupressão crônica observada em pacientes de UTI de longa permanência (PICS - Persistent Inflammation, Immunosuppression, and Catabolism Syndrome). Clinicamente, o manejo foca em controlar o foco inflamatório/infeccioso e evitar insultos adicionais. A identificação precoce de fatores de risco para falência orgânica, como a síndrome compartimental abdominal e o manejo volêmico inadequado, é fundamental para melhorar o prognóstico desses pacientes críticos.
As Células Supressoras Derivadas de Mieloide (MDSC) são uma população heterogênea de células imaturas que se expandem durante estados inflamatórios crônicos ou agudos graves, como a SIRS. Elas possuem um potente efeito imunossupressor, inibindo a proliferação e função de células T e NK. No contexto do paciente cirúrgico ou com trauma grave, a persistência dessas células está associada a um estado de 'paralisia imunológica', que dificulta a resolução da inflamação e aumenta drasticamente a suscetibilidade a infecções nosocomiais e o risco de evolução para falência de múltiplos órgãos.
A SIRS resulta de uma liberação descontrolada de mediadores pró-inflamatórios (citocinas como TNF-alfa, IL-1, IL-6). Essa 'tempestade de citocinas' causa lesão endotelial generalizada, aumento da permeabilidade vascular e ativação da cascata de coagulação. O dano microvascular resultante leva à hipoperfusão tecidual e hipóxia celular. Se a resposta inflamatória não for modulada, o dano celular cumulativo em órgãos vitais (rins, pulmões, fígado) resulta na Síndrome de Disfunção de Múltiplos Órgãos (SDMO), frequentemente exacerbada por uma resposta anti-inflamatória compensatória (CARS) ineficaz ou excessiva.
Em pacientes com trauma grave (polifraturados), utiliza-se a estratégia de 'Damage Control Orthopedics'. A fixação externa é preferida inicialmente em vez da haste intramedular porque é um procedimento mais rápido, menos invasivo e gera um 'segundo golpe' (second hit) inflamatório menor. A haste intramedular pode aumentar a resposta inflamatória sistêmica devido à embolia gordurosa e maior trauma cirúrgico local, o que poderia agravar uma SIRS já existente e precipitar falência orgânica em pacientes instáveis.
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