HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2022
Para uma jovem de 19 anos, solteira, sem filhos, sexualmente ativa, que procura a Unidade Básica de Saúde para exames de rotina, o Médico faz alguns encaminhamentos e solicitação de exames laboratoriais. Após a avaliação do leucograma, o Médico da Família relata à jovem, sobre a necessidade de investigação de possível infecção pelo HIV. Qual achado levou o médico a essa conduta:
Células de Mott (plasmócitos com Corpos de Russell) → investigar infecções crônicas, incluindo HIV.
A presença de células de Mott no leucograma, que são plasmócitos com inclusões citoplasmáticas de imunoglobulinas (Corpos de Russell), é um achado incomum que pode estar associado a gamopatias, mieloma múltiplo e, em alguns casos, a infecções crônicas, como a infecção pelo HIV, justificando a investigação.
O leucograma é uma ferramenta diagnóstica fundamental na medicina, fornecendo informações valiosas sobre o estado de saúde do paciente e auxiliando na identificação de diversas patologias, desde infecções agudas até doenças hematológicas e crônicas. A interpretação cuidadosa de achados incomuns, como a presença de células de Mott, é crucial para direcionar a investigação diagnóstica, especialmente em pacientes com fatores de risco para infecções sexualmente transmissíveis como o HIV. As células de Mott são plasmócitos atípicos que acumulam grandes quantidades de imunoglobulinas em seu citoplasma, formando os chamados Corpos de Russell. Embora não sejam patognomônicas de HIV, sua presença em um leucograma deve levantar a suspeita de condições que cursam com hipergamaglobulinemia ou estimulação crônica do sistema imune, como é o caso da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. Outros achados como eosinofilia, granulação tóxica ou hipersegmentação de neutrófilos possuem etiologias distintas e não se associam diretamente ao HIV. Diante da identificação de células de Mott em um paciente com fatores de risco para HIV, a conduta médica apropriada é a investigação sorológica para o vírus. Este achado, embora raro, serve como um alerta para o médico, permitindo o diagnóstico precoce e a instituição do tratamento antirretroviral, que é fundamental para a qualidade de vida e prognóstico dos indivíduos infectados. A compreensão desses detalhes morfológicos no leucograma é um diferencial para o residente e o médico generalista.
Células de Mott são plasmócitos que contêm múltiplas inclusões citoplasmáticas de imunoglobulinas, conhecidas como Corpos de Russell. Sua presença, embora rara, pode ser um indicativo de gamopatias, mieloma múltiplo ou infecções crônicas, incluindo o HIV.
Além das células de Mott, a infecção por HIV pode cursar com linfopenia (especialmente de linfócitos T CD4+), anemia, trombocitopenia e, em fases avançadas, leucopenia. No entanto, as células de Mott são um achado mais específico que pode levantar a suspeita inicial.
As células de Mott são caracterizadas por suas inclusões citoplasmáticas esféricas e eosinofílicas (Corpos de Russell) dentro de plasmócitos. Diferenciam-se de granulações tóxicas (em neutrófilos, indicando infecção bacteriana) ou hipersegmentação (em neutrófilos, indicando deficiência de B12/folato) pela morfologia celular e tipo de inclusão.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo