Células Glandulares Atípicas (AGC): Próxima Etapa da Investigação

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Janete de 40 anos, com citologia oncótica compatível com células glandulares atípicas de significado indeterminado. Nega queixas de sangramento ou uso de método contraceptivo. DUM: 10 dias. Trouxe uma ultrassonografia transvaginal normal. Foi encaminhada para colposcopia. Colposcopia adequada, com junção escamo colunar visível, sem alterações com a aplicação de ácido acético e lugol. Qual a próxima etapa da investigação de Janete?

Alternativas

  1. A) Biópsia de ectocérvice.
  2. B) Curetagem de canal.
  3. C) Escovado de canal.
  4. D) Histeroscopia diagnóstica.
  5. E) Ressonância magnética de pelve.

Pérola Clínica

AGC/AGUS + USG normal + Colposcopia normal → investigar canal endocervical/endométrio (histeroscopia/curetagem).

Resumo-Chave

Em casos de células glandulares atípicas (AGC/AGUS) na citologia, mesmo com colposcopia e ultrassonografia normais, a investigação deve se estender ao canal endocervical e endométrio, pois as lesões glandulares podem estar mais altas e não visíveis à colposcopia. A histeroscopia diagnóstica é a próxima etapa.

Contexto Educacional

A citologia oncótica (Papanicolau) é uma ferramenta essencial no rastreamento do câncer de colo uterino. Quando o resultado aponta para "células glandulares atípicas de significado indeterminado" (AGC, anteriormente AGUS), a conduta difere daquela para lesões escamosas. As lesões glandulares são menos comuns, mas podem ser mais agressivas e frequentemente localizam-se mais profundamente no canal endocervical ou no endométrio, dificultando a detecção pela colposcopia. Nesse cenário, mesmo com uma colposcopia adequada e sem alterações visíveis, e uma ultrassonografia transvaginal normal, a persistência da atipia glandular exige uma investigação mais abrangente. A histeroscopia diagnóstica, com ou sem biópsia dirigida, permite a visualização direta do canal endocervical e da cavidade uterina, sendo fundamental para identificar lesões que não seriam detectadas por outros métodos. É crucial que o ginecologista esteja ciente da necessidade de estender a investigação para além da colposcopia em casos de AGC, a fim de não subestimar o risco de neoplasias glandulares e garantir um diagnóstico precoce e tratamento adequado. A curetagem de canal endocervical ou biópsia endometrial também podem ser consideradas, dependendo do contexto clínico.

Perguntas Frequentes

Qual a importância das células glandulares atípicas (AGC) na citologia oncótica?

As células glandulares atípicas (AGC) indicam a presença de alterações nas células glandulares do colo uterino ou endométrio, que podem estar associadas a lesões pré-malignas ou malignas, exigindo investigação aprofundada.

Por que a histeroscopia é indicada em casos de AGC com colposcopia normal?

A histeroscopia é indicada porque as lesões glandulares podem estar localizadas mais profundamente no canal endocervical ou no endométrio, áreas que não são totalmente visíveis pela colposcopia, necessitando de visualização direta e biópsia.

Quais as principais causas de células glandulares atípicas?

As causas de AGC podem variar desde alterações reativas benignas até lesões pré-malignas (adenocarcinoma in situ) ou malignas (adenocarcinoma invasivo do colo ou endométrio), sendo crucial a investigação para determinar a etiologia.

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