Células Glandulares Atípicas: Conduta com Colposcopia Normal

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 40 anos comparece ao ambulatório de patologia cervical com laudo de citologia, indicando células glandulares atípicas, não podendo afastar lesão de alto grau. A colposcopia é satisfatória e normal. Nesse caso, a conduta recomendada é:

Alternativas

  1. A) colher nova citologia e realizar ultrassonografia transvaginal
  2. B) solicitar exames pré-operatórios e indicar conização clássica
  3. C) prescrever estrogênio tópico e repetir a colposcopia após o uso
  4. D) curetar o canal cervical e iniciar antibioticoterapia polimicrobiana

Pérola Clínica

AGC-FN (células glandulares atípicas, não afasta lesão alto grau) + colposcopia normal → USG transvaginal + nova citologia.

Resumo-Chave

Em casos de citologia com células glandulares atípicas (AGC-FN) e colposcopia satisfatória e normal, a investigação deve ser aprofundada para excluir lesões endometriais ou do canal endocervical, que não são visíveis à colposcopia. A ultrassonografia transvaginal e a repetição da citologia são passos iniciais importantes.

Contexto Educacional

A interpretação de achados citopatológicos cervicais é um pilar fundamental na ginecologia. A presença de "células glandulares atípicas" (AGC, do inglês Atypical Glandular Cells) é um achado menos comum que as atipias escamosas, mas que demanda uma investigação cuidadosa devido ao potencial de associação com lesões pré-malignas ou malignas do colo do útero, endométrio ou até mesmo ovário. A classificação "não podendo afastar lesão de alto grau" (AGC-FN) eleva a preocupação. Quando uma citologia revela AGC-FN e a colposcopia é satisfatória e normal, significa que a ectocérvice e a zona de transformação não apresentam alterações visíveis que justifiquem a atipia glandular. Nesses casos, a investigação deve se estender para o canal endocervical e o endométrio, locais onde lesões glandulares podem se desenvolver e não serem detectadas pela colposcopia. A ultrassonografia transvaginal é uma ferramenta essencial para avaliar a cavidade uterina e a espessura endometrial, buscando sinais de patologia endometrial. A conduta recomendada, portanto, envolve a repetição da citologia para monitoramento e a realização de ultrassonografia transvaginal para rastrear possíveis lesões endometriais ou outras patologias pélvicas. Em alguns protocolos, a curetagem de canal cervical também pode ser considerada para avaliar o endocérvix. A conização clássica (alternativa B) seria uma conduta mais invasiva e precoce, geralmente reservada para casos onde há maior suspeita ou confirmação de lesão de alto grau após investigação inicial.

Perguntas Frequentes

O que significa células glandulares atípicas (AGC) na citologia?

Células glandulares atípicas (AGC) indicam alterações nas células glandulares do colo do útero ou endométrio. Podem ser classificadas como AGC-NOS (não especificadas) ou AGC-FN (não pode afastar lesão de alto grau ou adenocarcinoma), exigindo investigação aprofundada.

Qual a importância da ultrassonografia transvaginal na investigação de AGC?

A ultrassonografia transvaginal é crucial para avaliar o endométrio e os ovários, pois lesões glandulares atípicas podem ter origem endometrial ou ovariana, especialmente quando a colposcopia é normal e não revela lesões cervicais.

Quando a conização é indicada em casos de AGC?

A conização é geralmente indicada quando há suspeita de lesão de alto grau ou adenocarcinoma após investigação inicial (colposcopia, biópsias direcionadas, curetagem de canal) ou quando a citologia persiste com AGC-FN e a origem da atipia não é identificada.

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