CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Um paciente apresenta quadro de cegueira cortical adquirida, com restante da via visual íntegra. Qual dos achados clínicos abaixo é compatível com este diagnóstico?
Cegueira cortical = Amaurose + Reflexos pupilares normais.
Na cegueira cortical, a lesão é pós-geniculada (córtex occipital), poupando o arco reflexo pupilar que se fecha no mesencéfalo.
A cegueira cortical representa a perda da percepção visual devido a danos bilaterais ao córtex visual primário (área 17 de Brodmann). Clinicamente, o paciente não apresenta percepção de luz, mas o exame oftalmológico de fundo de olho é normal e os reflexos pupilares estão preservados, o que pode levar ao diagnóstico errôneo de simulação ou distúrbio conversivo. A preservação dos reflexos ocorre porque as fibras pupilomotoras deixam o trato óptico antes do corpo geniculado lateral para fazer sinapse no núcleo pré-tectal. Portanto, qualquer lesão situada após o corpo geniculado lateral (radiações ópticas ou córtex) não afetará a pupila, sendo este o principal marcador topográfico na neuro-oftalmologia.
O reflexo fotomotor depende da integridade da retina, do nervo óptico, do trato óptico até o núcleo pré-tectal no mesencéfalo, e da via eferente pelo nervo oculomotor. Como a cegueira cortical decorre de lesões no córtex occipital (via visual terminal), o arco reflexo pupilar, que se desvia da via visual antes do corpo geniculado lateral, permanece intacto.
A Síndrome de Anton é uma forma de cegueira cortical onde o paciente nega veementemente a perda da visão (anosognosia). O paciente descreve o ambiente de forma confabulatória, apesar de estar funcionalmente cego, geralmente devido a lesões bilaterais extensas do lobo occipital que desconectam as áreas visuais das áreas de linguagem e consciência.
As principais etiologias incluem acidentes vasculares cerebrais isquêmicos bilaterais (território da artéria cerebral posterior), hipóxia cerebral grave (parada cardiorrespiratória), trauma cranioencefálico occipital e leucoencefalopatia posterior reversível (PRES).
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