USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Recém-nascido, sexo feminino, 24 horas de vida, está no alojamento conjunto. Nascida com idade gestacional de 40 semanas e 2 dias, parto fórcipe, Apgar 8/9, peso de 3.950 g, com período expulsivo prolongado. Criança recebeu vacina de hepatite B, nitrato de prata ocular e vitamina K intramuscular. Pré-natal sem anormalidades. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, e a inspeção da cabeça mostrou a presença de um abaulamento (Figura A), cujos limites anatômicos estão esquematicamente representados abaixo (figura B). Sem outras alterações significativas. Qual é a conduta, considerando a principal hipótese diagnóstica?
Cefaloematoma = coleção subperiosteal, respeita suturas, conduta expectante + monitorar icterícia.
O cefaloematoma é uma coleção de sangue entre o periósteo e o osso do crânio, geralmente resultante de trauma de parto. É característico por respeitar os limites das suturas cranianas e a conduta é conservadora, com observação e monitoramento para icterícia devido à reabsorção do sangue.
O cefaloematoma é uma lesão comum em recém-nascidos, especialmente após partos mais traumáticos, como o uso de fórcipe ou vácuo-extrator, ou em casos de período expulsivo prolongado. Caracteriza-se por uma coleção de sangue localizada entre o periósteo e o osso do crânio, sendo uma de suas características distintivas o fato de respeitar os limites das suturas cranianas, não as cruzando. O diagnóstico é clínico, pela palpação de uma massa flutuante e bem delimitada no crânio do recém-nascido. É crucial diferenciá-lo da bossa serossanguínea (caput succedaneum), que é um edema do couro cabeludo que cruza as suturas, e da hemorragia subgaleal, que é mais difusa e grave. A maioria dos cefaloematomas regride espontaneamente em semanas ou meses. A conduta para o cefaloematoma é geralmente expectante. Não se recomenda punção ou drenagem devido ao risco de infecção e hemorragia. A principal preocupação é o monitoramento da icterícia neonatal, pois a reabsorção do sangue acumulado pode levar a um aumento significativo da bilirrubina indireta, exigindo fototerapia ou, em casos mais graves, exsanguineotransfusão.
O cefaloematoma é uma coleção subperiosteal que respeita os limites das suturas cranianas, enquanto a bossa serossanguínea é um edema subcutâneo que cruza as suturas e é mais superficial.
A conduta é conservadora, com observação clínica. É fundamental monitorar o desenvolvimento de icterícia, pois a reabsorção do sangue do cefaloematoma pode aumentar os níveis de bilirrubina.
A principal complicação é a icterícia neonatal significativa devido à hemólise do sangue acumulado. Raramente, pode ocorrer infecção ou calcificação, mas punção ou drenagem são geralmente contraindicadas devido ao risco de infecção.
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