Enxaqueca: Características Clínicas e Diagnóstico Diferencial

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

A cefaleia é uma das queixas mais comuns no consultório do médico de família. A preocupação acerca da sua causa é uma das razões principais para as pessoas procurarem um médico. Dentre as afirmativas relacionadas abaixo sobre enxaqueca assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) A serotonina está envolvida na patogênese da enxaqueca.
  2. B) As enxaquecas não podem ser vistas como eventos causados por um único fator, é complexa, multifatorial e varia de uma pessoa para outra.
  3. C) Geralmente apresenta severidade moderada, distribuição bilateral, duração longa e ausência de náuseas e fotofobia.
  4. D) Na enxaqueca sem aura, os episódios distinguem-se da enxaqueca com aura principalmente pela ausência de sintomas neurológicos. 

Pérola Clínica

Enxaqueca: dor unilateral, pulsátil, moderada a grave, com náuseas/fotofobia/fonofobia.

Resumo-Chave

A enxaqueca é caracterizada por dor de cabeça geralmente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. A descrição de dor bilateral e ausência de sintomas associados sugere cefaleia tensional.

Contexto Educacional

A enxaqueca é uma das cefaleias primárias mais comuns e incapacitantes, afetando aproximadamente 15% da população adulta global. Caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça, geralmente unilateral, pulsátil e de intensidade moderada a grave, é frequentemente acompanhada de sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Sua prevalência é maior em mulheres e tende a ter um forte componente genético. A patogênese da enxaqueca é complexa e multifatorial, envolvendo a ativação do sistema trigeminal, disfunção de neurotransmissores como a serotonina e o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), e alterações na excitabilidade cortical. A aura, presente em cerca de 20-30% dos pacientes, consiste em sintomas neurológicos focais transitórios, mais comumente visuais, que precedem ou acompanham a dor de cabeça. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). O tratamento agudo visa aliviar a dor e os sintomas associados, utilizando analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e triptanos. A profilaxia é indicada para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes, com opções que incluem betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e, mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para enxaqueca sem aura?

Enxaqueca sem aura é diagnosticada pela presença de pelo menos 5 ataques com duração de 4-72 horas, com pelo menos duas das características (unilateral, pulsátil, moderada/grave, agravada por atividade física) e pelo menos um dos sintomas associados (náuseas/vômitos, fotofobia/fonofobia).

Qual o papel da serotonina na patogênese da enxaqueca?

A serotonina (5-HT) desempenha um papel crucial na enxaqueca, com a ativação de receptores 5-HT1B/1D levando à vasoconstrição e inibição da liberação de neuropeptídeos inflamatórios, sendo alvo de medicamentos como os triptanos.

Como diferenciar enxaqueca de cefaleia tensional?

A enxaqueca é geralmente unilateral, pulsátil, de maior intensidade e associada a náuseas, fotofobia ou fonofobia. A cefaleia tensional é bilateral, opressiva, de intensidade leve a moderada e sem sintomas associados.

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