HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Mulher 42 anos, relata que iniciou subitamente com forte cefaleia holocraniana, nega história de dor semelhante prévia. A dor não foi aliviada com analgésicos. Exame neurológico não apresentou nenhuma alteração. Assinale a melhor conduta:
Cefaleia em trovoada súbita, forte, sem alívio → Investigar HSA com TC e, se negativa, PL para xantocromia.
A cefaleia em trovoada ('thunderclap headache'), caracterizada por dor súbita e intensa atingindo o pico em segundos a minutos, é um sinal de alerta para causas secundárias graves, como a hemorragia subaracnoide (HSA). Mesmo com exame neurológico normal, a investigação é mandatório.
A cefaleia em trovoada é uma emergência neurológica que exige investigação imediata, pois pode ser a manifestação de condições graves como a hemorragia subaracnoide (HSA), trombose venosa cerebral, dissecção arterial cervical ou cerebral, e síndrome de vasoconstrição cerebral reversível. A prevalência de HSA em pacientes com cefaleia em trovoada pode chegar a 10-25%, tornando a abordagem diagnóstica rigorosa fundamental para evitar morbimortalidade. O diagnóstico da HSA é primariamente feito pela tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste, que possui alta sensibilidade nas primeiras 6 horas do evento. No entanto, se a TC for negativa e a suspeita clínica for alta, ou se a TC for realizada após 6 horas, a punção liquórica (PL) para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é imperativa. A presença de xantocromia no LCR é o achado mais sensível para HSA tardia, confirmando o diagnóstico. O manejo da cefaleia em trovoada, portanto, não se limita à analgesia. A prioridade é descartar causas secundárias graves. O atraso no diagnóstico e tratamento da HSA pode levar a complicações devastadoras, incluindo ressangramento, vasoespasmo e hidrocefalia. Residentes devem estar aptos a reconhecer essa apresentação clínica e seguir o protocolo diagnóstico adequado para garantir a segurança do paciente.
Sinais de alerta incluem início súbito e intenso (cefaleia em trovoada), pior cefaleia da vida, alteração do estado mental, sinais neurológicos focais, febre, rigidez de nuca, papiledema, e cefaleia em pacientes com câncer ou imunocomprometidos.
A investigação inicial é com tomografia computadorizada de crânio sem contraste. Se a TC for negativa e a suspeita clínica persistir (especialmente se a dor for muito recente), deve-se realizar punção liquórica para pesquisa de xantocromia.
A TC de crânio pode ser negativa em até 10% dos casos de HSA, especialmente se realizada após 6-12 horas do início dos sintomas. A punção liquórica para pesquisa de xantocromia (pigmentos de degradação da hemoglobina) torna-se mais sensível após algumas horas e é crucial para descartar HSA nesses casos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo