Cefaleia Tensional: Diagnóstico e Manejo Adequado

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a alternativa que complementa corretamente a conduta explicitada abaixo. Antônio, 44 anos de idade, serralheiro, vem ao Centro de Saúde relatando cefaleia holocraniana há três dias, pior na nuca, em pressão, sem febre, sem tontura, náusea, vômito ou escotomas, de início insidioso. Refere alimentação normal, urina e fezes normais, sem patologias pregressas dignas de nota. Tomou um comprimido de dipirona e depois de AAS 500 mg sem melhora ontem, e hoje de novo. Solicita exame de tomografia da cabeça. Ao exame físico, refere dor à palpação do trapézio em nuca e região supra e interescapular, que estão contraídas, pressão arterial normal, sem sinais meníngeos nem outras alterações ao exame físico. Quanto à melhor conduta em relação às demandas do paciente, considerando o diagnóstico mais provável, além de prover tratamento farmacológico, o médico deve

Alternativas

  1. A) investigar a situação familiar, social e laboral para contextualizar o quadro e orientar sobre a não necessidade do exame.
  2. B) solicitar ressonância, pois tem especificidade e sensibilidade melhores que a tomografia para lesões em partes moles.
  3. C) prescrever analgésico parenteral imediato para acalmar a dor, depois reexaminar e decidir sobre a necessidade de exame complementar.
  4. D) solicitar o exame se o paciente insistir, pois a contextualização nesse caso não alterará o tratamento.
  5. E) solicitar o exame para acalmar o paciente e por “precaução defensiva”.

Pérola Clínica

Cefaleia tensional: dor holocraniana em pressão, sem sinais de alarme, associada a tensão muscular → tranquilizar e orientar.

Resumo-Chave

A cefaleia tensional é a forma mais comum de cefaleia primária, caracterizada por dor em pressão, geralmente holocraniana ou em faixa, sem sinais neurológicos focais ou meníngeos. A ausência de 'red flags' (sinais de alarme) como febre, déficits neurológicos, início súbito ou piora progressiva, e a presença de tensão muscular, sugerem um diagnóstico benigno. Nesses casos, a conduta mais adequada envolve a escuta ativa, a contextualização do quadro e a explicação sobre a não necessidade de exames complementares, além do tratamento sintomático.

Contexto Educacional

A cefaleia tensional é a forma mais prevalente de cefaleia primária, afetando uma grande parte da população mundial. Caracteriza-se por dor de cabeça bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, que não é agravada por atividade física rotineira. Diferentemente da migrânea, não costuma ser acompanhada de náuseas ou vômitos, e a fotofobia ou fonofobia, se presentes, são leves. Sua importância clínica reside na alta prevalência e no impacto na qualidade de vida, embora seja uma condição benigna. A fisiopatologia da cefaleia tensional não é totalmente compreendida, mas envolve mecanismos de sensibilização central e periférica, com a participação de fatores como estresse, tensão muscular pericraniana e disfunção dos sistemas de modulação da dor. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese detalhada e no exame físico, que deve excluir sinais de alarme ('red flags') que sugiram uma causa secundária grave. A palpação de pontos gatilho e tensão muscular na região cervical e craniana é comum. O tratamento da cefaleia tensional inclui abordagens farmacológicas (analgésicos simples, AINEs) e não farmacológicas (terapias de relaxamento, fisioterapia, manejo do estresse, acupuntura). A orientação e a tranquilização do paciente sobre a natureza benigna da condição são cruciais, evitando a solicitação desnecessária de exames de imagem. A contextualização do quadro, considerando fatores psicossociais e laborais, permite um manejo mais holístico e eficaz, reduzindo a frequência e intensidade das crises.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da cefaleia tensional?

A cefaleia tensional é tipicamente uma dor em pressão ou aperto, de intensidade leve a moderada, que pode ser holocraniana ou em faixa, sem pulsatilidade. Geralmente não é agravada por atividade física rotineira e não está associada a náuseas, vômitos, fotofobia ou fonofobia intensas, embora um desses sintomas possa ocorrer.

Quais são os 'sinais de alarme' (red flags) que indicam a necessidade de investigação em cefaleia?

Sinais de alarme incluem início súbito e intenso ('thunderclap headache'), cefaleia progressiva ou nova em idosos, alteração do padrão da dor, presença de febre, rigidez de nuca, déficits neurológicos focais, papiledema, cefaleia associada a trauma recente, imunossupressão ou câncer, e cefaleia que piora com manobras de Valsalva.

Por que a contextualização e a orientação são importantes no manejo da cefaleia tensional?

A contextualização da cefaleia tensional, relacionando-a a fatores de estresse, tensão muscular ou estilo de vida, ajuda o paciente a compreender a natureza benigna de sua dor. A orientação sobre a não necessidade de exames complementares, juntamente com o tratamento sintomático e medidas não farmacológicas, reduz a ansiedade e evita investigações desnecessárias, promovendo um manejo mais eficaz e humanizado.

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