Cefaleia Tensional: Diagnóstico e Manejo Eficaz

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 38 anos, desempregada, com queixa de cefaleia recorrente, vem à consulta referindo estar em uso de dipirona até 4 vezes ao dia, nos últimos 5 dias, pois a dor de cabeça não cessa. Afirma que não é a pior dor da sua vida, mas é a dor que mais durou. Refere que a dor é occipto-temporal, bilateral, acompanhada de fotofobia. Nega náuseas ou vômitos. Nega febre, sintomas neurológicos focais, perda de peso ou histórico de câncer. Bebe ao finais de semana, principalmente destilado. Nega tabagismo ou atividade física. Ao exame: Glasgow 15, sem alterações no exame neurológico dos pares cranianos. Apresenta contratura muscular de trapézio. Diante deste caso, podemos afirmar que se trata de um caso de:

Alternativas

  1. A) Cefaleia em salva, necessitando de oxigenioterapia.
  2. B) Migrânea, iniciar triptano para retirar da crise e manter antidepressivo.
  3. C) Cefaleia tensional, devendo associar relaxante muscular à prescrição e exercício físico.
  4. D) Cefaleia secundária, devendo realizar exame de imagem e encaminhar ao neurologista.

Pérola Clínica

Cefaleia bilateral, opressiva, sem náuseas/vômitos, com contratura muscular → Cefaleia Tensional.

Resumo-Chave

A paciente apresenta uma cefaleia bilateral, occipito-temporal, com fotofobia (mas sem náuseas/vômitos), e contratura muscular de trapézio, que são características da cefaleia tensional. O uso excessivo de analgésicos por mais de 3 meses pode indicar uma cefaleia por uso excessivo de medicação, que agrava a cefaleia tensional. O tratamento envolve relaxantes musculares e medidas não farmacológicas.

Contexto Educacional

A cefaleia tensional é a forma mais comum de cefaleia primária, afetando uma grande parcela da população. Embora geralmente não incapacitante como a migrânea, pode se tornar crônica e impactar significativamente a qualidade de vida, especialmente quando associada ao uso excessivo de analgésicos. A epidemiologia mostra que é mais prevalente em mulheres e em indivíduos com altos níveis de estresse. A fisiopatologia envolve mecanismos complexos, incluindo disfunção do sistema de modulação da dor e tensão muscular pericraniana. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society, que incluem o caráter bilateral, opressivo e a ausência de náuseas/vômitos. A presença de contratura muscular no pescoço e ombros é um achado comum. O tratamento agudo envolve analgésicos simples. Para a forma crônica, a profilaxia com antidepressivos tricíclicos pode ser útil. É fundamental identificar e tratar a cefaleia por uso excessivo de medicação, que é uma complicação comum e que perpetua a dor. Medidas não farmacológicas, como exercícios físicos, técnicas de relaxamento, fisioterapia e manejo do estresse, são pilares importantes do tratamento. Residentes devem estar aptos a diferenciar os tipos de cefaleia e propor um plano terapêutico abrangente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da cefaleia tensional?

A cefaleia tensional é tipicamente bilateral, com dor de intensidade leve a moderada, de caráter opressivo ou em faixa, sem pulsação. Pode ser acompanhada de fotofobia ou fonofobia (mas não ambas), e não é agravada por atividade física rotineira. Náuseas e vômitos são incomuns.

Como diferenciar a cefaleia tensional da migrânea (enxaqueca)?

A migrânea geralmente é unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, e frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia, sendo agravada por atividade física. A cefaleia tensional é bilateral, opressiva, sem náuseas/vômitos e com menos sintomas associados.

Qual a abordagem terapêutica para a cefaleia tensional crônica e por uso excessivo de medicação?

O tratamento da cefaleia tensional crônica envolve analgésicos simples (com cautela para evitar abuso), relaxantes musculares e antidepressivos tricíclicos para profilaxia. É crucial abordar a cefaleia por uso excessivo de medicação, orientando a retirada do analgésico abusado e implementando medidas não farmacológicas como exercícios físicos, manejo do estresse e fisioterapia.

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