PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Juraci, 58 anos, sem história de doença ou uso contínuo de medicamentos, procura a unidade básica pela manhã e, durante a consuta, tem o seguinte diálogo com seu médico de família e comunidade (MFC). Juraci: “Doutor, que bom que você me atendeu hoje. Estou com uma dor de cabeça horrível e não queria parar na emergência de novo”; MFC: “Fale mais sobre o que está acontecendo...”; Juraci: “A dor de cabeça começou há mais ou menos 1 mês. Não incomodava muito, mas foi piorando e agora está muito forte, a pior dor que já tive. Nenhum medicamento que tomei resolveu”; MFC: “Algo alivia ou piora?”; Juraci: “Ah sim, é pior quando acordo, chego a ter até́ ânsia, e quando faço forca pra vomitar ou para tossir piora muito.”; Tendo o caso como base, assinale a alternativa CORRETA:
Cefaleia com 'red flags' (piora ao acordar/Valsalva, 'pior da vida') → investigação imediata de causa secundária.
A cefaleia de Juraci apresenta múltiplos sinais de alerta ('red flags') que indicam uma possível causa secundária grave, como aumento da pressão intracraniana. A piora ao acordar, com manobras de Valsalva (tossir, vomitar) e a descrição de 'pior dor que já tive' exigem investigação imediata em serviço de emergência.
A avaliação da cefaleia é uma das queixas mais comuns na prática médica, e a capacidade de diferenciar cefaleias primárias de secundárias é crucial. As cefaleias secundárias, embora menos frequentes, podem ser indicativas de condições graves e potencialmente fatais, como hemorragia subaracnoidea, tumores cerebrais, meningite ou trombose venosa cerebral. O reconhecimento dos 'red flags' é um pilar fundamental para a segurança do paciente e um tópico essencial para residentes. No caso apresentado, a cefaleia de Juraci, um paciente de 58 anos sem histórico prévio, que piora progressivamente, é descrita como a 'pior dor que já tive', e se agrava ao acordar e com manobras de Valsalva, configura um quadro clássico de sinais de alerta. Esses sintomas são altamente sugestivos de aumento da pressão intracraniana e exigem uma investigação neurológica urgente para descartar patologias graves. Diante de tais achados, a conduta correta é a referência imediata ao serviço de emergência para avaliação e exames complementares, como neuroimagem. A 'demora permitida' ou o tratamento sintomático sem investigação seriam erros graves que poderiam comprometer o prognóstico do paciente. O médico de família e comunidade tem um papel vital na triagem e no reconhecimento precoce desses sinais.
Sinais de alerta incluem cefaleia de início súbito e intensa ('thunderclap headache'), pior dor da vida, início após 50 anos, cefaleia progressiva, piora com manobras de Valsalva (tosse, esforço), piora ao acordar, febre, rigidez de nuca, déficits neurológicos focais, papiledema, e alteração do estado mental. A presença de qualquer um desses exige investigação imediata.
A piora da cefaleia ao acordar e com manobras que aumentam a pressão intratorácica e, consequentemente, a pressão intracraniana (como tossir ou fazer força), sugere uma causa que ocupa espaço no crânio ou que eleva a pressão intracraniana, como tumores, hematomas ou hidrocefalia.
A conduta inicial é o encaminhamento imediato a um serviço de emergência para investigação complementar. Isso pode incluir neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio) e, dependendo do caso, punção lombar, para descartar causas secundárias graves e potencialmente fatais.
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